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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Absolvição de Zimmerman retoma debate sobre preconceito racial nos EUA

Do Exame.com – 15/07/2013

 (Manifestação na Times Square - NY)

Washington - A absolvição de George Zimmerman, o ex-segurança de origem hispânica que matou o jovem negro Trayvon Martin no último ano, reabriu o debate sobre preconceitos raciais nos Estados Unidos e fez com que milhares de pessoas fossem às ruas para cobrar justiça pela morte do adolescente desarmado.
Associações e ativistas americanos foram às ruas no dia 15, segunda-feira, para exigir que o Departamento de Justiça apresente acusações federais contra Zimmerman - por violação dos direitos civis, por exemplo -, embora os especialistas tenham advertido que essa via não é tão simples quanto parece.
O secretário de Justiça, Eric Holder, qualificou hoje a morte de Martin como "trágica" e "desnecessária", confirmando que seu departamento já abriu uma investigação sobre a perspectiva dos direitos civis.
Zimmerman foi absolvido no sábado, dia 13 de julho,  porque o júri popular do tribunal do estado da Flórida aceitou a tese da defesa, a qual citava que o ex-segurança tinha atuado em legítima defesa.
A promotoria, no entanto, argumentou que Zimmerman pressupôs desde o princípio que o jovem afro-americano era suspeito e, por isso, teria provocado um confronto que acabaria com a vida do rapaz.
Como já havia o registro de outros roubos no bairro, o ex-segurança se deixou levar por seus preconceitos e acabou identificando Martin como um possível marginal, ainda que a polícia, por telefone, tinha indicado para não se aproximar do jovem.
Apesar dos fatos já terem sidos julgados, uma intervenção do Governo Federal permitiria abrir uma via não penal contra Zimmerman, baseada na mesma lei sobre direitos civis que compensava às vítimas dos abusos cometidos no passado pelo Ku Klux Klan (KKK) no sul do país após a Guerra Civil.
"Somos conscientes da dor que a nação sente em relação a essa trágica e desnecessária morte em Sanford, na Flórida, no ano passado", afirmou Holder.
O procurador-geral assegurou que "o Departamento continuará atuando de maneira coerente com a lei" e "trabalhando para aliviar as tensões e atender as preocupações da comunidade".
Em entrevista à emissora "Fox News", o ex-promotor Alan Vinegrad declarou que o Departamento de Justiça não tem muito poder para apresentar acusações, já que, para isso, teria que provar que o ataque teve um motivo racial.

"Há vários obstáculos fáticos e jurídicos que os juízes federais teriam que superar: teriam que demonstrar não só que o ataque não estava justificado, mas também que o senhor Zimmerman atacou o senhor Martin por sua raça e porque estava usando uma instalação pública, a rua", ressaltou Vinegrad.
O Bureau Federal de Investigações (FBI) já iniciou a busca dessas provas no último ano, embora tenha interrompido suas investigações para não obstaculizar o processo estadual da corte da Flórida.
O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, assegurou na segunda, dia 15, em sua entrevista coletiva diária que a decisão de intervir está nas mãos do Departamento de Justiça e que a possibilidade de levantar acusações federais contra Zimmerman "não é algo que o presidente (Barack Obama) possa decidir".
"Seria inadequado que um presidente opinasse sobre o que o Departamento de Justiça deva fazer", declarou o porta-voz. "Obama não tem nenhuma opinião que expressar sobre a disposição do Departamento de Justiça para tratar este caso", completou.
Na ocasião, Carney também se referiu às declarações feitas pelo presidente Obama no domingo ao julgamento, nas quais pediu uma "reflexão acalmada" à cidadania e reiterou suas condolências pela morte do jovem Martin.
Em reação à absolvição de Zimmerman, manifestações e protestos foram realizados ao longo de todo o fim de semana nos EUA, um fato que resultou em dezenas de detenções tanto em Los Angeles (Califórnia) como Nova York.
A polícia de Los Angeles informou que deteve seis manifestantes entre a noite do domingo, dia 14, e a manhã da segunda-feira, 15. Algumas das pessoas que participavam dos protestos teriam lançado pedras e pilhas nos agentes de segurança, que dispararam balas de borracha em resposta, informou o jornal "Los Angeles Times".
Em Nova York, o protesto reuniu mais de mil pessoas na Times Square na noite do último domingo, dia 15. Na ocasião, a polícia local anunciou a prisão de pelo menos 12 manifestantes.

Senador italiano compara ministra negra a orangotango

Da AFP – 14/07/2013

Um senador do partido da Liga do Norte comparou Cecile Kyenge, primeira ministra negra da história da Itália, a um orangotango, o que provocou a reação do chefe de Governo, Enrico Letta.
No sábado, dia 13, durante uma reunião de seu partido em Treviglio (norte), o senador Roberto Calderoli, conhecido por suas declarações polêmicas, declarou que a ministra de origem congolesa, Cecile Kyenge, "faz bem de ser ministra, mas deveria o ser em seu país (...) Eu me consolo quando navego na internet e vejo as fotos do governo. Adoro animais (... ), mas quando vejo imagens de Kyenge, não posso deixar de pensar em suas semelhanças com um orangotango, mesmo que eu não diga que ela seja um deles".
Essas declarações imediatamente repercutiram nas redes sociais, provocando uma onda de indignação.
No domingo, dia 14, em um comunicado oficial, Enrico Letta reagiu pessoalmente: "as palavras que apareceram hoje na imprensa e atribuídas ao senador Calderoli sobre Cecile Kyenge são inaceitáveis e ultrapassam qualquer limite".
Em um comunicado, ele também expressou "sua plena solidariedade e apoio à Cecile". O presidente do Senado, Pietro Grasso, exigiu desculpas formais de Calderoli. Cecile declarou neste domingo à agência de notícias Ansa que "não toma pessoalmente as palavras de Calderoli, mas elas me entristecem por causa da imagem que dão à Itália". "Eu acredito que todas as forças políticas devem considerar o uso que fazem da comunicação".
Em 2006, Calderoli precisou renunciar sob o governo Berlusconi após se exibir com um camiseta anti-islã sobre Maomé.
Desde sua nomeação, Kyenge precisou enfrentar várias manifestações hostis por parte da Liga do Norte, um partido aliado ao Povo da Liberdade de Silvio Berlusconi.
Desde sua posse, no final de abril, a ministra foi alvo de agressões verbais e até ameças de morte postadas em sites racistas e em sua página oficial no Facebook.


Deficientes encaram estigma do sexo

Da Folha – 16/07/2013

Em suas fantasias sexuais, ela é uma loura forte e impetuosa, que domina seus parceiros. Na vida real, é uma virgem que depende de uma cadeira de rodas elétrica, e seu corpo só é tocado por cuidadores domésticos e profissionais de medicina.

"Uma pessoa incapacitada é vista como uma criança", diz essa mulher, Laetitia Rebord, 31. "E, inevitavelmente, crianças e sexo não combinam."

Uma atrofia muscular espinal genética a deixou paralisada, com exceção do polegar esquerdo e dos músculos faciais.
Rebord, que diz ter sensações físicas agudas, procurou relacionamentos sexuais entre amigos de amigos, sites de namoro e até com garotos de programa. Mas diz que agora está disposta a pagar por sexo na Suíça ou na Alemanha, onde os "parceiros sexuais substitutos" são legais.
O tema dos parceiros substitutos chamou atenção na França em março, depois que a Comissão Nacional de Ética, que assessora o governo sobre questões de saúde, criticou a prática como um "uso antiético do corpo humano para fins comerciais".
Embora a prostituição seja legal na França, abordar possíveis clientes e servir de intermediário entre profissionais do sexo e clientes não o são. Mas algumas pessoas estão pedindo a legalização dos parceiros sexuais substitutos.
"A prostituição é um debate falso. Os objetivos são diferentes", disse Pascale Ribes, que em 2011 fundou o Grupo de Deficiências e Sexualidades, associação que defende os terapeutas sexuais na França.
"O parceiro substituto permite que uma pessoa deficiente física, que não pode acessar a sexualidade de maneira satisfatória, reconecte-se com o corpo", disse Ribes.
Sua associação está fazendo lobby por uma alteração na lei para permitir que pessoas com deficiência física, seus pais, amigos ou diretores de instituições aprovadas arranjem encontros com parceiros substitutos, que geralmente cobram cerca de US$ 130 por sessão.
Na França, a falta de debate sobre o assunto, as leis que regulamentam a prostituição e a recusa a legalizar os parceiros substitutos encorajaram práticas ilegais.
Aminata Gregory, 66, vem oferecendo ilegalmente assistência sexual na França há mais de um ano. Ela foi treinada como terapeuta sexual na Suíça, e seu trabalho envolve principalmente massagens e jogos eróticos, sem beijos na boca ou sexo.
Gregory, que é holandesa, tem cerca de dez clientes incapacitados na França e cobra honorários por meio de sua empresa na Holanda.
Gregory recentemente foi ao sul da França para conhecer um cliente, Daniel Doriguzzi, 49. Ele tem uma rara doença genética chamada ataxia de Friedreich, que o faz perder gradualmente a coordenação motora e a capacidade de falar com fluência.
Com uma prostituta, disse Doriguzzi, "dura um tempo limitado e mais nada". Com Gregory, "nós nos colocamos em uma bolha e nos tornamos um casal normal. Conversamos, fazemos o que quisermos. Perguntamos um ao outro o que queremos. No final da sessão, estouramos a bolha".
Os parceiros substitutos são legais na maioria dos países que permitem a prostituição, como Suíça, Alemanha e Dinamarca.
Em 2008, Catherine Agthe Diserens, uma educadora suíço-alemã, iniciou um programa de treinamento de parceiros sexuais substitutos durante seis meses, com ex-prostitutas, enfermeiras e fisioterapeutas.
As aulas tratavam de deficiências físicas, internamentos em instituições, colaborações com profissionais do sexo e cursos práticos explorando o que Diserens chama de "técnicas corporais".
Para muitas feministas francesas, que associam o sexo indesejado à violência, a ajuda sexual é humilhante para as duas pessoas envolvidas.
"É como dizer às pessoas incapacitadas que, como elas nunca terão uma vida sexual ou amorosa, vamos prescrever a ajuda sexual como paliativo", disse Anne-Cécile Mailfert, membro da Osez le Féminisme (Ousem ser feministas).
Ela também teme que ocorra dependência emocional nos terapeutas sexuais.
Mas a questão principal, disse Mailfert, tem menos a ver com a sexualidade do que com ensinar os profissionais de saúde a compreender as necessidades sexuais de pessoas deficientes e ajudá-las a encontrar outras pessoas.
Marcel Nuss, que tem dois filhos e respira com respirador artificial, é o autor de "I Want to Make Love" [Eu quero fazer amor].
O livro descreve sua realização pessoal por meio do amor com sua ex-mulher e uma vida sexual com acompanhantes.
"Alguém como eu não pode fazer nada sozinho", disse Nuss. "O sexo ajuda os deficientes a renascer e a recuperar seu aspecto humano."


quarta-feira, 24 de abril de 2013

Violência de skinhead contra morador de rua será investigada pelo MP

Do Brasil de Fato - 11/04/2013

O caso do jovem que postou na rede social Facebook uma foto em que enforcava com uma corrente um homem em situação de rua, em Belo Horizonte (MG), foi encaminhado ao Ministério Público. Na terça-feira, dia 9 de abril, o Centro Nacional de Defesa de Direitos Humanos da População em Situação de Rua e Catadores de Materiais Recicláveis (CNDDH) divulgou nota de repúdio a ação de violência e informou a condução do ocorrido para investigações.
Na nota, o CNDDH afirma que crimes como esse, em sua maioria, são cometidos em razão do “preconceito” e da “discriminação”. O texto também ressalta que a população em situação de rua sofre com a impunidade, além da falta de políticas públicas estruturantes e emancipatórias.
A descrição da imagem também possuía conteúdos depreciativos e preconceituosos relacionados à vítima. Entre abril de 2011 e abril de 2013, o CNDDH registrou 110 homicídios contra pessoas em situação de rua em Minas Gerais, além dos casos de violência física e psicológica.

Neonazistas pedem pena de morte para imigrantes criminosos


Do Exame.com - 30/03/2013

O partido de extrema direita Aurora Dourada propõe a reintrodução da pena de morte na Grécia para aplicá-la aos imigrantes condenados por crimes violentos. Em comunicado divulgado no sábado, dia 30 de março, o partido neonazista, que conta com 18 cadeiras no Parlamento, sustenta que 'os imigrantes assassinos' transformaram o país em uma 'selva' e que o Estado é incapaz de controlá-los.
O partido pede ainda que as forças de segurança gregas sejam equipadas com armas de maior calibre. As armas militares são essenciais para combater os 'bandos armados de imigrantes criminosos', segundo o comunicado. A pena de morte foi abolida oficialmente na Grécia em 1993, mas a última execução aconteceu em 1972.
A crise econômica que afeta o país há mais de cinco anos fortaleceu este partido, que nas eleições gerais de junho do ano passado obteve 7% das cadeiras. O Aurora Dourada aproveitou a frustração dos cidadãos perante o trepidante aumento do desemprego para fustigar os imigrantes ilegais. Com regularidade, os chamados 'camisas negras' desta formação organizam caçadas contra estrangeiros.

Entre as ações recentes do partido está a criação de uma rede denominada 'Médicos com Fronteiras' que presta assistência sanitária exclusivamente a gregos com problemas econômicos. A Grécia é para muitas pessoas a porta de entrada à Europa, tanto por mar como pela fronteira com a Turquia, onde tentam driblar a cerca erguida para conter a imigração ilegal.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Empresa aérea vai cobrar mais caro de passageiros 'gordinhos'


Do UOL Economia – 02/04/2013

Uma empresa aérea de Samoa (arquipélago do Pacífico, na Oceania) anunciou que o preço das passagens será determinado pelo peso dos passageiros: quanto mais pesado, mais caro. Segundo a Samoa Air, os preços podem variar de R$ 2 a R$ 8 por quilo, dependendo da distância percorrida pelo avião.
No momento da compra da passagem os clientes da empresa terão de informar o peso para que seja feito o cálculo do preço. Para evitar fraudes, a empresa afirma que irá pesar os passageiros antes do voo. "Esta é a maneira mais justa de viajar", afirmou o presidente da Samoa Air, Chris Langton, ao jornal australiano "The Sydney Morning Herald". "Não há nenhuma taxa extra em termos de excesso de bagagem", afirmou.
O problema da obesidade é comum nas ilhas do pacífico, e Samoa se destaca entre os países com habitantes obesos do mundo. Com a alta no preço dos combustíveis, as empresas aéreas têm buscado soluções para baratear o preço dos voos. Algumas empresas dos Estados Unidos já obrigam os passageiros obesos que não cabem em um único assento a pagar por dois lugares, por exemplo.

Empresas devem cobrar mais de obesos, diz especialista
As companhias aéreas deveriam cobrar mais de passageiros obesos, sugere um economista norueguês, apontando benefícios para a saúde, o ambiente e a economia. Bharat Bhatta, professor-associado da Faculdade Sogn og Fjordane, disse que o setor aéreo deveria seguir o exemplo de outras formas de transporte que já cobram segundo o espaço ocupado e o peso embarcado.
"À medida que os passageiros perderem peso e, portanto, reduzirem as tarifas, a economia resultante será um benefício para os passageiros", escreveu Bhatta nesta semana na publicação "The Journal of Revenue and Pricing Management", especializada em questões de faturamento e estabelecimento de preços.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Conar abre processo contra Gillette após suposto preconceito contra peludos

Do Portal Imprensa - 20/02/2013

Na terça-feira (19/2), o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) anunciou que abriu um processo para avaliar as denúncias contra uma propaganda veiculada pela Gillette nas redes sociais, informou o G1.
O anúncio, com participações de Psy, Sabrina Sato e as gêmeas Bia e Branca Peres, incentivava a depilação masculina.
No comercial criado para o carnaval, era usada a expressão “quero ver raspar” no refrão de “Gangnam Style”, do cantor coreano. As garotas da campanha ainda desafiavam os homens para ver quem tinha coragem de raspar o peito para agradar as mulheres.
Após o comercial, o órgão regulador publicitário informou ter recebido 15 reclamações (14 de homens e uma de mulher). Nas mensagens, os consumidores alegavam que a propaganda tinha “preconceito contra os peludos”.
Na última terça-feira, o anúncio não estava mais disponível no canal da Gillette no YouTube. Em nota, a empresa diz que o vídeo foi retirado porque tinha o propósito de anunciar a vinda de Psy para o carnaval.
De acordo com o Conar, o processo contra a campanha deverá ser julgado em até 30 dias.

http://portalimprensa.uol.com.br/cdm/caderno+de+midia/56860/conar+abre+processo+contra+gillette+apos+suposto+preconceito+contra+peludos