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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Debates – O beijo gay


Depois daquele beijo (Editorial)

Da Folha – 05/02/2014

Ao exibir no capítulo final da novela "Amor à Vida" um beijo amoroso entre dois personagens masculinos, a TV Globo atendeu a uma demanda que se intensificava nos últimos anos.
Em que pese a presença regular da temática gay na teledramaturgia nacional, levantava-se a reivindicação de um ato que selasse de maneira convencional o amor entre pessoas do mesmo sexo.
Este ato, segundo as convenções do gênero, é o beijo. Nada mais clássico, com efeito, do que as cenas finais em que galãs e heroínas longamente tocam seus lábios em sinal de união afetiva.
Consumado, o ósculo gay cumpriu seu papel de atrair audiência, provocar polêmicas e reverberar na mídia. Criticado por alguns, foi festejado por homossexuais, em alguns casos como se representasse a redenção da minoria discriminada.
A exultação decorre da hipertrofia midiática: as novelas infiltram-se de tal maneira no cotidiano da população que não raro se confundem com a realidade.
Não há dúvida de que a telenovela pode servir como termômetro moral e comportamental de um determinado momento da sociedade.
Se isso é verdade, o beijo entre pessoas do mesmo sexo passa a fazer parte de um repertório socialmente aceito. Talvez seja a chancela que faltava a um movimento crescente nas últimas décadas.
É forçoso reconhecer e lamentar, no entanto, que a homofobia, em parte como reação aos avanços, ainda resiste.
Enquanto se discutia o final da novela, a polícia investigava mais um caso de agressão a homossexuais ocorrido na região da rua Augusta, no centro de São Paulo.
Ninguém é obrigado a ter simpatia por gays ou gostar de ver dois homens ou duas mulheres se beijando. Daí não se segue, contudo, que seja aceitável a repulsa agressiva à homossexualidade.
Oscila-se, no Brasil, entre a atmosfera de tolerância –e até de celebração– e a rejeição violenta. A Constituição veta a discriminação por raça, sexo ou religião. Os preconceitos, porém, sobrevivem, enraizados em situações históricas e culturais.
Não se muda um país de uma hora para a outra –ou com um capítulo de telenovela. Mas, com todos os limites, o Brasil talvez venha a se tornar menos intolerante depois daquele beijo.


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Beijo gay: a Globo, como sempre, seguindo o imperialismo cultural de Hollywood (Artigo de opinião)

Do GospelPrime – 02/02/2014

O primeiro beijo gay exibido numa novela da TV Globo trouxe o alarde esperado dos habituais propagandistas da causa gay. Se não fosse por esse alarde, eu e muitos outros nunca saberíamos que no último capítulo de “Amor à Vida,” exibido na noite de 31 de janeiro de 2014, uma dupla de homens, Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso), fez papel de gays beijoqueiros.
Para quem acompanha Hollywood e a cultura americana, a imitação dos atores globais não mostrou novidade alguma e só era questão de tempo.
Uma jornalista da Globo fez contato comigo hoje, querendo minha opinião sobre esse beijo gay na novela “Amor à Vida.” Minha resposta a ela:
Confesso-lhe que não assisti ao tal beijo gay. Mas com a visibilidade que a Globo dá, com certeza esse beijo se configura em propaganda.
Por que é tão fácil para a Globo copiar os modismos dos EUA, em detrimento da saúde moral, espiritual e física das crianças e adolescentes? Minha opinião é a opinião que está na Bíblia, seguida por milhões de cristãos: beijos e outras carícias de natureza sexual, que devem ser reservados à esfera íntima, são apenas para homens e mulheres. Afeto e amor, que não sejam de natureza sexual, são bons e influenciam de forma positiva as crianças. Só o afeto e o amor deveriam ser expostos a elas.
Pergunte para um muçulmano da Arábia Saudita o que ele pensa do tal beijo gay. No mínimo, a resposta incluirá pena de morte para os beijoqueiros. A Rússia não tem esse radicalismo com pena de morte para homossexuais e, de forma muito apropriada, tem uma lei que protege crianças e adolescentes de propaganda gay. Sei que há muitos funcionários da Globo que apoiam o socialismo e têm um histórico de admiração pela Rússia. Deveriam dirigir a eles a pergunta: “Por que vocês não admiram a Rússia de hoje e suas leis de proteção às crianças?” Sou cristão e sou a favor de se proteger crianças de propaganda gay, inclusive de propagandistas beijoqueiros.
Em vez de seguir fielmente a propaganda hollywoodiana de exposições sexuais às crianças e adolescentes, por que a Globo não tenta seguir o modelo russo, por décadas admirado pelos funcionários globais, de proteção às crianças e adolescentes?
Note que não estou recomendando que a Globo siga os muçulmanos da Arábia Saudita. Sugiro apenas o meio termo entre o radicalismo muçulmano e a propaganda americana descarada do homossexualismo.
Gostaria de ver um funcionário da Globo protestando contra o imperialismo cultural pró-homossexualismo do governo dos EUA.
Gostaria também de vê-lo apoiando a lei russa que protege as crianças desse imperialismo.
De acordo com o Estadão, no exterior, o drag queen americano Ru Paul, estrela do reality show Ru Paul’s Drag Race e militante homossexual, comemorou o beijo gay com internautas em português. Entre as postagens no Twitter, ele comentou: “O beijo gay sentido em todo o mundo! Parabéns, Brasil.” Ele só faltou acrescentar, é claro, que o Brasil foi perfeito na imitação do lado mais podre da cultura americana.
A comemoração no Brasil ficou por conta do militante gay mentiroso deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), que comentou: “Estou em prantos! Amor à vida! Que emocionante essa cena!” Ele é o mesmo que ficou em pratos ao inventar a mentira de que um jovem homossexual em São Paulo, depois de se matar após perder o amante, foi assassinado em crime de “homofobia.”
O militante gayzista Toni Reis disse que a cena de beijo gay na Globo foi um marco na luta contra a “homofobia” no Brasil. Ele viu o óbvio: o tal beijo foi pura propaganda.
Como a Globo é apenas uma antena repetidora dos podres do imperialismo cultural, é de se esperar mais imitações podres no futuro.
Entretanto, o lunático ativismo gay não descansará até cenas de beijo gay alcançarem as crianças do Brasil.
O ator Marcelo Serrado, que fez o papel do homossexual Crô na novela “Fina Estampa”, foi vaiado dois anos atrás, porque numa entrevista para a Folha de S. Paulo, ele disse, sobre a exibição de um beijo gay na TV: “Isso é algo que tem que ir quebrando aos poucos. Não quero que minha filha [Catarina, 7] esteja em casa vendo beijo gay às nove da noite [na TV]. Que passe às 23h30.”
Imediatamente, as turbas bárbaras do movimento gay reagiram no Twitter e outras redes sociais, chamando o ator global de “homofóbico”. Tudo porque ele, como pai, não queria que sua filha de apenas 7 anos de idade assistisse a um beijo gay.
Não expor crianças ao beijo gay é “homofobia,” na opinião dos propagandistas do movimento gay. E isso é só o começo, se o Brasil não conseguir fazer como os russos e criar uma lei para proteger as crianças desse tipo de propaganda nociva.
Com informações do Estadão.


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Mais do que um beijo gay

Da Carta Maior – 06/02/2014

A Rede Globo finalmente liberou o beijo gay. A afirmação soa estranha, pois pode sugerir que uma emissora de televisão tenha poder para arbitrar a subjetividade, os afetos, o desejo, o que é circunscrito à esfera do particular, do pessoal. Óbvio que não. Cada um sabe de si. Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, escreveu Caetano. Diria mais: muitos sabem das agruras para se enfrentar a sordidez da vida, o preconceito, a intolerância, o olhar censor, o não acolhimento, a chacota, o desprezo, a agressão – seja simbólica, seja na carne golpeada, na pele rasgada, no hematoma contabilizado como violência urbana pelo discurso de recusa à concretude da homofobia. Mas a Globo exibiu dois homens se beijando no dia 31 de janeiro, e isso não é pouca coisa, pois cada um sabe das dores de se constituir e viver nestes tempos em que persiste a intolerância. Portanto, cada vez mais, segue o debate.
Enfim: veio o beijo no epílogo da novela Amor à vida, de Walcyr Carrasco. Na discussão momentaneamente sem fim das redes sociais, alguns tentaram esvaziar a importância do feito, pois se trataria de oportunismo da Globo, de estratégia para conquistar audiência polpuda. A desqualificação sustentava-se ainda no fato de que o gesto provém de emissora cuja programação costuma expor gays estigmatizados, caricatos ou atormentados – ressalvando-se que traços afeminados não devem ser tratados como negativos, pois não existe problema nisso. Havia mais críticas, muitas procedentes, mas arrisco propor que, neste momento, isso tudo não se impõe.
Nos últimos anos, viveu-se no Brasil uma espécie de vigília por um beijo gay em novela de grande audiência. Dois homens e duas mulheres já se beijaram na televisão brasileira, mas sem impacto, por conta da audiência modesta, do pouco destaque dos personagens e do contexto. Perto do final de Amor à vida, estabeleceu-se uma expectativa, quase torcida, nas redes sociais: haveria ou não beijo gay?
Se acontecesse, seria uma derrota pontual da onda fundamentalista que tenta disseminar dogmas morais e religiosos em assuntos que deveriam pertencer ao mundo laico, ao universo do particular. Não se pode esquecer que, em tempos de Felicianos, Malafaias e Bolsonaros, é preciso estar atento para conter o ódio e o preconceito. Assim, dois marmanjões se atracando na TV constituiriam um golpe e tanto contra a sanha dos pastores e do militar travestidos de políticos.
O beijo gay mais comentado em muito tempo apareceu na Globo, mas, se cabe um elogio pelo feito, não é para a emissora, nem para o autor ou os intérpretes. O grande reconhecimento cabe ao movimento LGBT, aos gays e às lésbicas que buscam respeito e dignidade – muitas vezes à custa de sofrimento – e às pessoas que já assimilaram algo estrondosamente óbvio: não faz sentido discriminar alguém por conta da condição sexual.
Esse beijo histórico, retroativamente, construiu-se nos guetos, na clandestinidade, longe do público, em espaços onde o desejo e o afeto eram vividos às escondidas.
Ele resulta também das vozes emanadas das ruas, das manifestações, das alegres e festivas paradas livres. Ele é fruto da coragem de quem ousou ser o que é, mesmo contrariando a barbárie repressora imposta pela sociedade. Não teria capacidade instantânea de erradicar a homofobia, por outro lado, no plano simbólico, é inegável que esse beijo entre iguais instaura um novo patamar no debate pautado pelas temáticas LGBT, e do acúmulo de conquistas e derrotas advém a trajetória de uma causa.
O ranço e o menosprezo com a cultura de massa não devem encobrir o fato irrevogável de que telenovelas – tão desprestigiadas por segmentos mais críticos – incidem na formação do imaginário nacional e pautam muito do que se fala e pensa no cotidiano. Portanto, em um momento de agravamento da violência contra indivíduos cuja sexualidade destoa do padrão heteronormativo, danem-se os pruridos e o preconceito contra telenovelas. Deve ser amplamente comemorado e potencializado o fato de que o folhetim eletrônico permitiu que se avançasse no combate à homofobia. As ruas evidenciam que se vive um acirramento do ódio contra gays – registre-se que, neste texto, não se está falando de outros grupos altamente marginalizados e agredidos, como as travestis, que também têm grande mobilização. No embate pela conscientização, as novelas podem ser aliadas estratégicas.
Se em muitos ambientes e grupos a troca de carinhos entre dois homens ou duas mulheres é vista com naturalidade, não se pode esquecer a existência de pessoas que nunca viram um beijo gay e se surpreenderiam se vissem. Talvez não entendessem. Talvez não tenham condições emocionais e referências culturais para lidar com isso. Desejos represados, interdições morais e religiosas, ignorância – enfim, são muitas as possíveis explicações para a intolerância. Neste contexto, Amor à vida apresentou o beijo entre dois homens como algo comum – o que de fato é –, e algo se rompeu. No ambiente doméstico, a poucos passos do sofá, da poltrona ou da cama, próximo do fogão, seja onde for, dois homens se beijaram.
O empacotamento desse beijo foi bem feito, destoando da edição apressada e das soluções imperfeitas do restante do capítulo final. A linguagem empregada, o plano sequência raro em novelas que antecedeu o clímax, a música do compositor austríaco Gustav Mahler (1860-1911) e as referências ao cineasta italiano Luchino Visconti (1906-1976) – cujo filme Morte em Veneza é caro ao gays – contribuíram para que esse momento da teledramaturgia brasileira se tornasse histórico.
O encontro dos lábios masculinos não se deu com qualquer melodia fácil ou canção da moda. Ao som do Adagietto, quarto movimento da Sinfonia Nº 5 de Mahler, os atores Mateus Solano e Thiago Fragoso consagraram o amor de seus personagens para o grande público. Este trecho, assim como outros da Sinfonia Nº 3 do mesmo compositor, foram usados por Visconti em sua obra que retrata a paixão platônica de Gustav von Aschenbach, compositor no ocaso de sua vida, por Tadzio, efebo belíssimo.
Ainda embebido da referência e ao som de Mahler, o final da novela emulou a derrocada do personagem de Visconti que, sentado à praia, aturdido pela paixão improvável, sucumbe à saúde fragilizada. Félix, o personagem de Solano, acomodou na beira da praia seu pai (Antônio Fagundes), que vestia um chapéu parecido com o de Aschenbach. O beijo, já foi dito, é emblemático, mas o que se processou ao término de Amor à vida talvez seja mais significativo. Pela primeira vez, o pai, que passou toda a trama repelindo Félix, deixando claro sua repulsa, esse mesmo pai, agora com sequelas de um AVC, admite – Adagietto ao fundo – que ama o filho.

Fim.
O que aconteceu naquela noite de sexta-feira não se resume a um beijo. O impacto foi maior do que o provocado por uma passeata gigantesca, por um anúncio de página dupla no jornal de domingo ou por uma propaganda no intervalo do capítulo final da novela. Tratava-se da própria novela, narrativa tipicamente brasileira, detentora de imenso poder de sugestionamento. E, transcorrido pouco tempo, muita coisa já aconteceu. Pastores neopentecostais protestaram e propuseram boicote à Globo, enquanto falam em diabo e degradação moral com uma retórica apocalíptica e esvaziada de lógica.
Na contramão da intolerância e do transe místico-homofóbico, as singularidades das vidas ordinárias sinalizaram que não imperam apenas trevas. O clima de final de campeonato de futebol e os gritos de comemoração que esquentaram ainda mais a noite abrasada do verão, quando Solano e Fragoso se beijaram, expressam acolhida. Um ex-aluno, emocionado, registrou em seu Facebook o recado que recebeu do pai via celular: “Filho, teve o beijo do Félix. O pai te ama”. Outro aluno, não menos comovido, compartilhou na mesma rede social que a mãe comemorou como se fosse uma vitória dela – e é.
Há mais histórias que começaram a aparecer no rastro da novela. No dia seguinte ao capítulo derradeiro, Maju Giorgi, mãe e militante da causa gay, reproduziu em seu blog o relato que recebeu de um menino que não era aceito pela família:
“Estavam todos na sala… eu no sofá quando o Félix beijou o carneirinho… Silêncio…Fiquei quieto também pra não dar motivos, embora estivesse fazendo a drag por dentro… Mas a cena final, do Félix e do César, eu não aguentei, veio um choro descontrolado que estava preso esses quatro anos que não falamos direito, estava total descontrole… daí veio minha mãe com a cara inchada de chorar me abraçar e meu pai do outro lado segurou minha mão e pôs a mão em volta do meu ombro… Não falamos nada! Na hora de dormir, o Felipe (irmão) entrou no quarto, deu a mão e quando eu ia apenas apertar, ele me puxou, deu um abraço e disse que ele sempre vai ser meu irmão. E chorei de novo… Pela primeira vez não dormi no inferno…”.
É importante que se mantenha os fatos em sua configuração original. Nas redes sociais, surgiram comentários pretensamente engajados de que não se tratava de um beijo gay, mas de um beijo de amor. Sim, um beijo de amor, mas protagonizado por dois homens. Apagar o gênero dos personagens é tentativa de sublimar a homossexualidade do casal. Não foi um beijo qualquer, foi um beijo entre dois homens na programação de uma emissora que influencia fortemente o imaginário do país.
Não deixa de ser estranho que, em 2014, se comemore a representação ficcional de um beijo entre pessoas do mesmo sexo. Mais estranho ainda é a dependência que se tem de uma emissora de televisão. Mas assim se processa a construção de um imaginário social pautado em grande medida pela mídia, então, o que se deve esperar é, conforme campanha recente da ONG Somos – Comunicação, Saúde e Sexualidade, “Que, daqui pra frente, qualquer beijo seja simplesmente um beijo”.
Foi um beijo tímido, é verdade. Faltou gana. Não se deve esquecer, no entanto, que, conforme o roteiro, era um beijo trivial, matinal, de despedida entre alguém que fica em casa e outro que vai trabalhar. O autor queria algo prosaico e amoroso. Não se deve esquecer, sobretudo, o mais importante: no último capítulo da telenovela em horário nobre da emissora com maior audiência no Brasil, dois barbados se beijaram, e o pai preconceituoso assumiu seu amor pelo filho gay.

(*) Vitor Necchi é jornalista e professor.

http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Cultura/Mais-do-que-um-beijo-gay/39/30197

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Deficientes encaram estigma do sexo

Da Folha – 16/07/2013

Em suas fantasias sexuais, ela é uma loura forte e impetuosa, que domina seus parceiros. Na vida real, é uma virgem que depende de uma cadeira de rodas elétrica, e seu corpo só é tocado por cuidadores domésticos e profissionais de medicina.

"Uma pessoa incapacitada é vista como uma criança", diz essa mulher, Laetitia Rebord, 31. "E, inevitavelmente, crianças e sexo não combinam."

Uma atrofia muscular espinal genética a deixou paralisada, com exceção do polegar esquerdo e dos músculos faciais.
Rebord, que diz ter sensações físicas agudas, procurou relacionamentos sexuais entre amigos de amigos, sites de namoro e até com garotos de programa. Mas diz que agora está disposta a pagar por sexo na Suíça ou na Alemanha, onde os "parceiros sexuais substitutos" são legais.
O tema dos parceiros substitutos chamou atenção na França em março, depois que a Comissão Nacional de Ética, que assessora o governo sobre questões de saúde, criticou a prática como um "uso antiético do corpo humano para fins comerciais".
Embora a prostituição seja legal na França, abordar possíveis clientes e servir de intermediário entre profissionais do sexo e clientes não o são. Mas algumas pessoas estão pedindo a legalização dos parceiros sexuais substitutos.
"A prostituição é um debate falso. Os objetivos são diferentes", disse Pascale Ribes, que em 2011 fundou o Grupo de Deficiências e Sexualidades, associação que defende os terapeutas sexuais na França.
"O parceiro substituto permite que uma pessoa deficiente física, que não pode acessar a sexualidade de maneira satisfatória, reconecte-se com o corpo", disse Ribes.
Sua associação está fazendo lobby por uma alteração na lei para permitir que pessoas com deficiência física, seus pais, amigos ou diretores de instituições aprovadas arranjem encontros com parceiros substitutos, que geralmente cobram cerca de US$ 130 por sessão.
Na França, a falta de debate sobre o assunto, as leis que regulamentam a prostituição e a recusa a legalizar os parceiros substitutos encorajaram práticas ilegais.
Aminata Gregory, 66, vem oferecendo ilegalmente assistência sexual na França há mais de um ano. Ela foi treinada como terapeuta sexual na Suíça, e seu trabalho envolve principalmente massagens e jogos eróticos, sem beijos na boca ou sexo.
Gregory, que é holandesa, tem cerca de dez clientes incapacitados na França e cobra honorários por meio de sua empresa na Holanda.
Gregory recentemente foi ao sul da França para conhecer um cliente, Daniel Doriguzzi, 49. Ele tem uma rara doença genética chamada ataxia de Friedreich, que o faz perder gradualmente a coordenação motora e a capacidade de falar com fluência.
Com uma prostituta, disse Doriguzzi, "dura um tempo limitado e mais nada". Com Gregory, "nós nos colocamos em uma bolha e nos tornamos um casal normal. Conversamos, fazemos o que quisermos. Perguntamos um ao outro o que queremos. No final da sessão, estouramos a bolha".
Os parceiros substitutos são legais na maioria dos países que permitem a prostituição, como Suíça, Alemanha e Dinamarca.
Em 2008, Catherine Agthe Diserens, uma educadora suíço-alemã, iniciou um programa de treinamento de parceiros sexuais substitutos durante seis meses, com ex-prostitutas, enfermeiras e fisioterapeutas.
As aulas tratavam de deficiências físicas, internamentos em instituições, colaborações com profissionais do sexo e cursos práticos explorando o que Diserens chama de "técnicas corporais".
Para muitas feministas francesas, que associam o sexo indesejado à violência, a ajuda sexual é humilhante para as duas pessoas envolvidas.
"É como dizer às pessoas incapacitadas que, como elas nunca terão uma vida sexual ou amorosa, vamos prescrever a ajuda sexual como paliativo", disse Anne-Cécile Mailfert, membro da Osez le Féminisme (Ousem ser feministas).
Ela também teme que ocorra dependência emocional nos terapeutas sexuais.
Mas a questão principal, disse Mailfert, tem menos a ver com a sexualidade do que com ensinar os profissionais de saúde a compreender as necessidades sexuais de pessoas deficientes e ajudá-las a encontrar outras pessoas.
Marcel Nuss, que tem dois filhos e respira com respirador artificial, é o autor de "I Want to Make Love" [Eu quero fazer amor].
O livro descreve sua realização pessoal por meio do amor com sua ex-mulher e uma vida sexual com acompanhantes.
"Alguém como eu não pode fazer nada sozinho", disse Nuss. "O sexo ajuda os deficientes a renascer e a recuperar seu aspecto humano."


quarta-feira, 13 de março de 2013

Conar abre processo contra Gillette após suposto preconceito contra peludos

Do Portal Imprensa - 20/02/2013

Na terça-feira (19/2), o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) anunciou que abriu um processo para avaliar as denúncias contra uma propaganda veiculada pela Gillette nas redes sociais, informou o G1.
O anúncio, com participações de Psy, Sabrina Sato e as gêmeas Bia e Branca Peres, incentivava a depilação masculina.
No comercial criado para o carnaval, era usada a expressão “quero ver raspar” no refrão de “Gangnam Style”, do cantor coreano. As garotas da campanha ainda desafiavam os homens para ver quem tinha coragem de raspar o peito para agradar as mulheres.
Após o comercial, o órgão regulador publicitário informou ter recebido 15 reclamações (14 de homens e uma de mulher). Nas mensagens, os consumidores alegavam que a propaganda tinha “preconceito contra os peludos”.
Na última terça-feira, o anúncio não estava mais disponível no canal da Gillette no YouTube. Em nota, a empresa diz que o vídeo foi retirado porque tinha o propósito de anunciar a vinda de Psy para o carnaval.
De acordo com o Conar, o processo contra a campanha deverá ser julgado em até 30 dias.

http://portalimprensa.uol.com.br/cdm/caderno+de+midia/56860/conar+abre+processo+contra+gillette+apos+suposto+preconceito+contra+peludos