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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

'Rolezinhos' são realidade há anos em shoppings dos EUA

Da BBC Brasil – 16/01/2014

Um encontro de adolescentes, convocado pelas redes sociais, realizado dentro de um shopping center - e que acabou em confusão e confrontos com a polícia.
A descrição, que poderia servir para um "rolezinho" em São Paulo, é na verdade de um "flash mob" ocorrido em 26 de dezembro no Brooklyn, em Nova York.
Assim como no Brasil, esses episódios têm despertado debates sobre o papel dos shopping centers, o direito de se reunir no local e as motivações desses jovens.


No Brooklyn, o Kings Plaza Shopping Center foi palco de um encontro de ao menos 300 jovens, convocados pelas redes sociais. Testemunhas disseram à imprensa local que eles gritavam, empurravam transeuntes e roubaram lojas. O shopping acabou fechando as portas por uma hora, informa o New York Post.
No dia seguinte, menores de idade não acompanhados de adultos foram barrados do local, despertando críticas dos que se sentiram tolhidos pela medida - e que queriam apenas fazer compras - e elogios dos que temiam novas cenas de confusão.
Dezenas de incidentes parecidos ocorreram em outras cidades americanas nos últimos anos. Em Chicago, em abril passado, centenas de jovens se juntaram no centro da cidade, convocados pelas redes sociais, e o episódio acabou em briga; a imprensa americana traz relatos parecidos de "flash mobs" realizados no mesmo mês no centro da Filadélfia e, em 2012, em uma loja do Walmart em Jacksonville, na Flórida.
Em 2011, também na Filadélfia, a prefeitura estabeleceu um toque de recolher para adolescentes, impedidos de ficar nas ruas após as 20h ou 22h (dependendo da idade dos jovens), na tentativa de evitar os encontros.
Não está claro se esses "flash mobs" em questão foram organizados com fins violentos, mas a maioria das reuniões - assim como no Brasil - ocorreu pacificamente.

'Formas de se expressar'
Um episódio do tipo ocorrido em agosto de 2011 em Kansas City - e que resultou em três jovens feridos a tiros - levou um grupo de acadêmicos do Consórcio Educacional da cidade a pesquisar o fenômeno.
Após entrevistar 50 dos adolescentes que participaram do episódio, em 2012, uma das conclusões foi a de que os jovens "estão buscando formas de se expressar enquanto se conectam com outros (pela internet)" - e que qualquer ação oficial para lidar com o fenômeno deve levar isso em conta.
"Os jovens se envolveram em 'flash mobs' para se expressar, chamar atenção, serem vistos e lembrados e se expressarem", diz a pesquisa.
Além disso, afirmam os pesquisadores, esses jovens estão "entediados" - e sua interação no mundo digital, onde os "flash mobs" são organizados, é uma importante forma de diminuir o tédio.
Por isso, toques de recolher como os implementados nos EUA terão pouca eficácia se não forem combinados "com atividades alternativas, acessíveis e divertidas" e incentivos a "flash mobs do bem", sem atitudes violentas.
Ao mesmo tempo, muitos desses jovens também lidam com limitações econômicas, moram em bairros violentos ou negligenciados e se queixaram que só foram parar no noticiário quando ocuparam espaços centrais de Kansas City.

Questões sociais
O debate americano tem se estendido também para questões raciais e sociais.
O New York Times destacou que a maioria dos jovens que participaram de um "flash mob" na Filadélfia em 2010 eram negros, de bairros pobres, e agiram em bairros predominantemente brancos.
Em contrapartida, críticos dizem que a polícia alvejou sobretudo jovens negros quando agiu para conter distúrbios.
A ONG Public Citizens for Children and Youth, de apoio à juventude da Filadélfia, levantou na época a possibilidade de episódios do tipo serem uma consequência no corte de verbas a programas sociais que mantinham os jovens ocupados após as aulas.
"Precisamos de mais empregos para os jovens, mas programas pós-aulas, mais apoio dos pais", disse a ONG ao New York Times.
Articulistas também debatem - assim como no Brasil - o papel dos shopping centers em subúrbios dos EUA, alegando que faltam espaços públicos comunitários, e citam a desilusão geral dos jovens com outros tipos de engajamento político ou social.
"É um grupo de jovens que sente raiva e impotência, e tenta obter um senso de poder", disse à CNN o psicólogo Jeff Gardere.


domingo, 1 de setembro de 2013

Ataque à Síria acontecerá mesmo sem aval do Congresso, dizem Estados Unidos

Do UOL – 01/09/2013

John Kerry, secretário de Estado dos Estados Unidos, afirmou no domingo, 1º de setembro, que o país atacará a Síria mesmo sem o aval do Congresso. Em entrevista o canal norte-americano CNN, Kerry disse ainda que foi confirmado o uso de gás sarin pela Síria nos ataques a civis do país, apesar de o regime sírio desmentir.
A descoberta foi feita depois de o governo americano ter acesso a amostras de sangue e de cabelo doadas por socorristas de Damasco das vítimas do ataque, no qual segundo os EUA morreram 1.429 pessoas, "deram positivo" para exposição ao sarin, detalhou Kerry.
"Achamos que o caso (contra a Síria) é poderoso e continua crescendo a cada dia", disse o chefe da diplomacia americana, que se mostrou convencido de que o Congresso dará ao presidente Barack Obama a autorização solicitada para uma ação militar contra o regime de Bashar al Assad.
O gás sarin é uma substância tóxica que afeta o sistema nervoso e causa lesões semelhantes a queimaduras pelo corpo. Seu uso é vetado pela comunidade internacional.
A prova recolhida a revelia da ONU "reforça o apelo do presidente Barack Obama por uma ação militar", disse Kerry.
"O presidente fez sua escolha primeiro e a anunciou. Sua decisão é que ele acredita que os Estados Unidos devem fazer uma ação militar para deter Assad de usar suas armas. Essa é a sua decisão. Ele tem o direito de fazer, não importa o que o Congresso faça", disse Kerry.
O secretário disse ainda que a administração de Obama trabalha para ganhar apoio entre os legisladores.
Uma missão da ONU foi à Síria para investigar o uso de armas químicas. A equipe de inspeção, liderada pelo cientista sueco Åke Sellström, permaneceu no país entre os dias 18 e 30 de agosto, quando os inspetores partiram para a Holanda com amostras que serão analisadas pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), localizada em Haia. A ONU não informou sobre qualquer resultado das amostras.
No domingo, dia 1º, o jornal britânico "Le Journal du Dimanche", afirmou que os serviços franceses de inteligência têm provas de que o regime sírio de Bashar Assad possui mil toneladas de armas químicas e agentes tóxicos entre gás sarin, mostarda e VX, e que utilizou esse tipo de arsenal no dia 21 de agosto.
No dia 31 de agosto, Obama anunciou que decidiu pela ação militar no país, mas que esperaria o aval do Congresso, que deve votar sobre o caso depois de voltar do recesso em 9 de setembro.
A ação militar dos EUA seria uma retaliação ao governo sírio, acusado de usar armas químicas contra civis no país. Obama falou que o episódio foi o "pior ataque químico do século 21".
A Síria vive uma guerra civil desde 2011, entre grupos rebeldes e forças do governo, que causou um enorme êxodo do país, com milhões de refugiados, e mais de 100 mil pessoas mortas.
"Estou confiante que o governo fará o que tiver que ser feito", disse Obama. "Que mensagem nós daremos se não fizermos nada?"
Obama disse ainda no sábado, dia 31 de agosto, que o país "não pode fechar os olhos para o que está acontecendo em Damasco" e que ele não foi eleito para "evitar decisões difíceis".
O presidente citou que as imagens divulgadas de pessoas queimadas, as quais chamou de 'terríveis',  foram um "insulto a dignidade humana".
Logo após o pronunciamento de Obama, o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, disse que "entende e apoia" a decisão do presidente dos Estados Unidos.

Na quinta-feira, dia 29 de agosto, Cameron teve que desistir de participar dessa operação militar após perder uma votação no Parlamento.
Uma pesquisa divulgada no domingo, dia 1º de setembro, pelo jornal britânico "The Observer", mostrou que aproximadamente 60% dos cidadãos do Reino Unido são contrários à participação de seu país em um possível ataque à Síria.
Antes do anúncio, legisladores dos EUA já pressionavam o presidente por mais informações, e muitos expressavam reservas sobre o custo e o impacto dos potenciais ataques.
O anúncio acontece um dia depois de a Casa Branca divulgar um relatório no qual aponta o regime de Damasco responsável pelo ataque com armas químicas em 21 de agosto, que matou pelo menos 1.429 civis, sendo um terço deles crianças.
A maioria dos norte-americanos não querem que os EUA façam uma intervenção na Síria. Uma pesquisa Reuters/Ipsos feita na semana do dia 26 de agosto mostrou que apenas 20 por cento acreditam que o país deveria tomar uma ação, isso ante nove por cento uma semana antes. (Com agências internacionais)

Confira mais informações, mais fotos e vídeos sobre a Síria e a intervenção internacional nos links:

terça-feira, 6 de agosto de 2013

“Caso Snowden está mudando o mundo digital”, afirma Isabelle Falque-Pierrotin

Da Carta Maior – 31/07/2013

Paris – A história de Edward Snowden marca uma fronteira definitiva entre as ilusões e a confiança na tecnologia e a crua realidade de nosso comportamento inocente: ninguém mais poderá dizer que “não sabia”. Agora sabemos todos, não só que estamos sendo constantemente espionados, mas sim e, sobretudo, que essa espionagem é realizada com a cumplicidade dos operadores privados em quem havíamos depositado nossa confiança: Google, Skype, Microsoft, Apple e seus demais aliados na empresa planetária da vigilância e da violação da intimidade. A era digital, do seu modo, era a idade da inocência: éramos perfeitamente capazes de fechar as portas com chave, de fechar as janelas, de colocar grades na varanda ou na janela, de ficar atentos ao andar em bairros perigosos em certas horas da noite. Mas, ao mesmo tempo em que existia essa consciência do perigo do meio ambiente físico, deixamos entrar em casa um espião, um espoliador de dados, um bandido teleguiado desde os escritórios de inteligência do grande império.
Na América do Sul conhecemos bem os resultados dessa prática: o Plano Condor montado pelas ditaduras de Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai funcionou com base em um sistema de comunicações, de armazenamento e tratamento de dados chamado Condortel e cujo eixo foram computadores da IBM que processavam as informações sobre os suspeitos. Hoje, o programa espião Prisma permite elaborar um “perfil” planetário de suspeitos. Um exemplo basta para compreender um dos numerosos alcances dessa produção de perfis em massa: se alguém viaja pela primeira vez para os Estados Unidos em classe executiva ou primeira classe pode ser tratado com atenção especial pelos serviços de segurança. Como os assentos da classe executiva e da primeira classe estão perto da cabine dos pilotos, os passageiros sem histórico nesse tipo de viagem serão, sem dúvida alguma, vigiados com atenção.
Para além da curiosa trama do caso, Edward Snowden nos levou a mudar de mundo, a modificar nossos hábitos e a exigir dos poderes públicos uma intervenção mais decisiva. É exatamente isso o que pensa Isabelle Falque-Pierrotin, a presidenta da Comissão Nacional de Informática e Liberdades (CNIL). Este organismo do Estado francês é encarregado de cuidar da proteção dos dados pessoais, Criada em 1978, a Comissão nacional de informática e Liberdades tem hoje uma missão mais essencial do que nunca: a construção de uma ética digital, a capacitação para fazer frente aos desafios e excessos dos operadores e dos Estados e, acima de tudo, a proteção da privacidade dos indivíduos.

O caso Snowden tem muitas leituras, desde a policial até a informática. Para você, o que significam as revelações que ele fez ao mundo?
O caso Snowden quer dizer que entramos em uma nova era, quer dizer que a era digital é uma era na qual há dados pessoais por todas as partes, por todos os usos. Quer dizer também que, a partir disso, devemos permanecer atentos a nossa vida individual. Não podemos nos apoiar unicamente nos demais, devemos nos responsabilizar com nosso comportamento e com nossa utilização da internet. Não se trata de montar uma censura individual, isso seria contra- produtivo. Hoje estamos todos concernidos pelo mesmo problema. A partir da agora é preciso adaptar os comportamentos. O caso Snowden mostra igualmente que a transparência entrou em uma nova fase e que, talvez, seja necessário aportar respostas mais institucionais que a resposta de Snowden. Devemos construir controles democráticos, tanto dos poderes públicos como das empresas, que são extremamente poderosas.
Tivemos um grande choque com o que ocorreu com Snowden. O que esse caso mostra é que existe uma aliança objetiva entre os grandes grupos da internet e os poderes públicos estrangeiros para colocar os indivíduos sob vigilância. De fato, a vigilância dos poderes públicos existe há muito tempo. Mas essa vigilância era feita, digamos, em relação a pessoas más. Agora, em troca, estamos potencialmente em um sistema onde somos potencialmente vigiados em nosso uso cotidiano e banal da internet. Isso dá medo aos indivíduos, ao mesmo tempo em que acentua a necessidade de construir garantias jurídicas importantes e reais frente aos grandes grupos.

O que se pode exigir concretamente de gigantes como Google, Facebook, Microsoft, Skype e outros?
É preciso exigir que abram suas caixas-pretas e digam o que fazem com nossos dados pessoais, como os utilizam e a quem permitem o acesso dos mesmos. O período atual é decisivo porque a Europa está elaborando seu novo marco jurídico e é evidente que o caso Snowden nos obriga a cerrar fileiras e a avançar em grupo para dizer aos atores internacionais e aos Estados estrangeiros: “aqui vocês devem atuar desta forma”.

E que estratégia deve se adotar frente ao grande público. Já sabemos que a questão da espionagem não é uma fantasia, ou uma paranoia dos adeptos das teorias da conspiração, mas sim uma realidade universal.
Não creio que manejar esse tema mediante o medo seja algo bom. O caso Snowden reforça a inquietude dos cidadãos e a vontade de transparência. Nós queremos fazer circular a ideia de que o universo digital é extraordinário porque todas essas ferramentas nos oferecem uma potencialidade de ação considerável. O problema está em que, no fundo, não compreendemos bem essas ferramentas. Por isso esse caso nos incita a desenvolver a educação digital. Isso é o que estamos fazendo agora na França: lançamos a educação digital como uma causa nacional. Essa é, creio, a resposta positiva ao caso Snowden. Mais amplamente, creio que na França e na Europa não se tomou plena consciência da magnitude do fenômeno digital. Snowden é, a sua maneira, o ponto culminante de uma evolução que se constata há um ano.
O mundo digital entrou na vida das pessoas com suas preocupações, a vigilância, por exemplo, mas também pelos aspectos positivos de sua utilização. Há, ao mesmo tempo, muito apetite por esses instrumentos e, também, um medo latente que só espera a circunstância certa para se cristalizar em um ou outro ponto. Hoje é Snowden, amanhã será outra coisa. A resposta deve ser a pedagogia e a responsabilização dos atores econômicos pedindo-lhes oficialmente garantias de parâmetros obrigatórios, transparência e a permissão para que os clientes escolham realmente, o que não é o caso hoje.

Como funciona a Comissão e quais são suas atribuições?
A CNIL é uma autoridade administrativa independente cujo trabalho consiste em proteger os dados pessoais dos indivíduos, ou seja, todos os dados que circulam no mundo digital e que dizem respeito à vida das pessoas. O trabalho da CNIL consiste também de uma tarefa pedagógica, que é acompanhar o uso dos instrumentos, controlar as empresas e os responsáveis públicos para proteger os dados pessoais dos indivíduos. Trata-se, em resumo, de garantir a vida privada e as liberdades digitais neste universo. É uma tarefa ambiciosa. A Comissão é um instrumento muito potente: temos um orçamento substancial e há 148 pessoais trabalhando aqui. Nosso trabalho permite às empresas a construção de um modelo econômico mais legítimo.
Quanto aos atores públicos, nós fixamos limites e marcas para eles. No universo atual isso é muito útil. Somos uma instância que é consultada sobre os textos de lei e os decretos cada vez que o tema da proteção dos dados pessoais está em jogo. Temos também outros poderes como, por exemplo, a aprovação da utilização da biometria. Temos igualmente um poder de controle e sanção sobre tudo que possa violar a proteção dos dados pessoais.
Contamos com todo o arsenal necessário para um regulador. Se o responsável pelo tratamento de dados não está em conformidade com nossa lei podemos aplicar sanções. Atualmente estamos nesse processo de sanção com Google. A empresa tem três meses para cumprir o que exigimos. Se não o fizer, temos a possibilidade de discutir sanções financeiras.


http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=22441&utm_source=emailmanager&utm_medium=email&utm_campaign=Boletim_Carta_Maior__31072013

Rússia concede asilo a Snowden e tensão aumenta com os EUA

Do Terra – 01/08/2013

O ex-consultor dos serviços de inteligência dos Estados Unidos Edward Snowden obteve na quinta-feira, dia 01 de agosto, asilo temporário de um ano na Rússia e deixou o aeroporto de Moscou onde estava confinado há mais de um mês, em uma decisão muito criticada pelos Estados Unidos.
"Durante as oito últimas semanas vimos a administração Obama não demonstrar respeito algum pelas leis internacionais e nacionais, mas, no final das contas, a justiça ganhou. Agradeço à Rússia por ter me concedido o asilo, de acordo com suas leis e suas obrigações internacionais", disse Snowden em suas primeiras declarações públicas divulgadas pelo site WikiLeaks.
Na manhã do dia 1º, seu advogado Anatoli Kutcherena surpreendeu ao anunciar que Snowden havia deixado o aeroporto de Sheremetievo.
"Acabamos de entregar a ele um documento que prova que recebeu asilo temporário de um ano na Rússia", declarou o advogado, acrescentando que o fugitivo americano "foi para um lugar seguro".
Os Estados Unidos reagiram ao anúncio logo na tarde.
"Estamos extremamente decepcionados pelo fato de o governo russo ter tomado esta decisão, apesar dos pedidos claros e legais, em público e em particular, de ver Snowden expulso para os Estados Unidos, para que ele respondesse às acusações que pesam contra ele", afirmou o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.
"À luz destes fatos, estamos avaliando os planos de uma cúpula" bilateral prevista para acontecer no início de setembro, antes da reunião do G20, acrescentou.
Segundo o site WikiLeaks, fundado pelo australiano Julian Assange e que tem desempenhado um papel ativo na fuga do jovem americano, Snowden deixou o aeroporto "sob a tutela" de Sarah Harrison, que o tem acompanhado desde sua chegada a Moscou Sheremetievo.
"Eles deixaram "o aeroporto de táxi" para um local "seguro e confidencial", indicou.
"O local onde ele está não será divulgado por questões de segurança, porque ele é o homem mais procurado do mundo", acrescentou o advogado de Snowden.
Contudo, Kutcherena afirmou que Snowden deve se dar declarações públicas cedo ou tarde.
"Ele deverá passar por um período de readaptação. Ele passou muito tempo na zona de trânsito (...) Mas é claro que vai reaparecer. Acreditem em mim, ele sabe que a imprensa está interessada", declarou à televisão russa.
O nome "Snowden Edward Joseph" figura no documento apresentado pelo advogado ao lado de uma foto em preto e branco do fugitivo americano.
Ele foi expedido dia 31 de julho e é válido até 31 de julho de 2014, segundo as imagens.
O funcionário da CIA e ex-consultor de inteligência, de 30 anos de idade, estava bloqueado desde 23 de junho na zona de trânsito do aeroporto de Moscou Sheremetievo e solicitou asilo provisório ao governo russo.
Edward Snowden é exigido pela justiça americana, que o acusa de espionagem por ter revelado a existência de um sistema americano de vigilância mundial das comunicações telefônicas e por internet.
Apesar dos vários pedidos de extradição dos Estados Unidos, a Rússia se negou a entregar Snowden. O caso tem estremecido as relações entre os dois países.
O presidente russo, Vladimir Putin, chegou a impor como condição para a permanência de Snowden em território russo o fim das atividades que prejudicam seu "parceiro" americano.
Por fim, o fugitivo aceitou essas condições, segundo personalidades russas que o encontraram em 12 de julho no aeroporto.
Reagindo ao anúncio de asilo, o pai de Edward Snowden agradeceu à Rússia em uma entrevista concedida à rede de televisão pública russa Rossia 24.
"Para meu filho, acabou de vez", declarou, referindo-se às atividades de seu filho.
Snowden apresentou em 16 de julho um pedido de asilo temporário à Rússia, depois de um longo período de hesitação, durante o qual recebeu o convite de países latino-americanos.
Ainda nesta quinta, o fundador do similar russo do Facebook, o Vkontakte, a maior rede social do país, se dispôs a empregar o fugitivo americano.
"Convidamos Edward Snowden para São Petersburgo (noroeste) e ficaríamos contentes se ele decidisse juntar-se a nossa equipe", escreveu Pavel Durov em seu site.

http://noticias.terra.com.br/mundo/europa/russia-concede-asilo-a-snowden-e-tensao-aumenta-com-os-eua,af015bd106430410VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD.html

Mensagem interceptada do líder da Al Qaeda provocou alerta americano

Da Folha – 05/08/2013

Mensagens eletrônicas interceptadas nas quais o líder da Al Qaeda, Ayman al-Zawahri, repassava ao chefe da rede terrorista no Iêmen a ordem de levar a cabo ataques terroristas foi o que levou o governo dos EUA a fechar representações diplomáticas no Oriente Médio e na África.
A informação é do jornal "The New York Times", que disse ter mantido em sigilo a identidade dos interlocutores da Al Qaeda desde sábado a pedido de um alto integrante da cúpula de inteligência do governo Barack Obama. Como jornais do grupo americano McClatchy publicaram o dado, o veto foi abolido.
Ayman al-Zawahri é considerado o substituto de Osama bin Laden, morto em 2011. Na mensagem interceptada, ele conversava com Nasser al-Wuhayshi, que comanda da Al Qaeda no Iêmen, considerado o mais sangrento braço operativo da rede.


De acordo com o "New York Times", o rastreamento de mensagem tão inusual entre dois cabeças do grupo terrorista levou Washington a imediatamente a compartilhar a informação com integrantes do Congresso.
As mensagens monitoradas falavam que ataques deveriam ocorrer a partir de ontem, mas não davam pistas sobre locais, daí a decisão do governo Obama e de outros aliados ocidentais de fechar representações diplomáticas em várias regiões.
Na segunda-feira, dia 5, o Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido informou que a embaixada britânica no Iêmen permanecerá fechada nesta semana, por razões de segurança, até o final da festa de Eid ul-Fitr, que na quinta-feira marca o fim do mês sagrado do Ramadã.
Mais cedo, os EUA já haviam prologando até sábado, dia 10 de agosto, o fechamento de 19 embaixadas e consulados no Oriente Médio e na África. Alemanha e França também fecharam suas representações diplomáticas em Sanaa, a capital do Iêmen.
O Departamento de Estado negou que o fechamento das embaixadas esteja vinculada a "uma nova ameaça".
Não há informação da origem da interceptação, que ocorre num momento em que os programas de espionagem global dos EUA, com amplo acesso a mensagens via internet, estão sendo criticados até por países aliados.

Vigilância
"A ameaça é real e temos de estar vigilantes", repetiu ontem Jay Carney, porta-voz do presidente Barack Obama.
Segundo o jornal americano, agentes de inteligência acreditam que as bombas que seriam usadas em ataques estão sendo feitas por Ibrahim al-Asiri, um dos líderes do grupo no Iêmen e alvo dos ataques americanos usando aviões não tripulados, os chamados drones.


quarta-feira, 17 de julho de 2013

Absolvição de Zimmerman retoma debate sobre preconceito racial nos EUA

Do Exame.com – 15/07/2013

 (Manifestação na Times Square - NY)

Washington - A absolvição de George Zimmerman, o ex-segurança de origem hispânica que matou o jovem negro Trayvon Martin no último ano, reabriu o debate sobre preconceitos raciais nos Estados Unidos e fez com que milhares de pessoas fossem às ruas para cobrar justiça pela morte do adolescente desarmado.
Associações e ativistas americanos foram às ruas no dia 15, segunda-feira, para exigir que o Departamento de Justiça apresente acusações federais contra Zimmerman - por violação dos direitos civis, por exemplo -, embora os especialistas tenham advertido que essa via não é tão simples quanto parece.
O secretário de Justiça, Eric Holder, qualificou hoje a morte de Martin como "trágica" e "desnecessária", confirmando que seu departamento já abriu uma investigação sobre a perspectiva dos direitos civis.
Zimmerman foi absolvido no sábado, dia 13 de julho,  porque o júri popular do tribunal do estado da Flórida aceitou a tese da defesa, a qual citava que o ex-segurança tinha atuado em legítima defesa.
A promotoria, no entanto, argumentou que Zimmerman pressupôs desde o princípio que o jovem afro-americano era suspeito e, por isso, teria provocado um confronto que acabaria com a vida do rapaz.
Como já havia o registro de outros roubos no bairro, o ex-segurança se deixou levar por seus preconceitos e acabou identificando Martin como um possível marginal, ainda que a polícia, por telefone, tinha indicado para não se aproximar do jovem.
Apesar dos fatos já terem sidos julgados, uma intervenção do Governo Federal permitiria abrir uma via não penal contra Zimmerman, baseada na mesma lei sobre direitos civis que compensava às vítimas dos abusos cometidos no passado pelo Ku Klux Klan (KKK) no sul do país após a Guerra Civil.
"Somos conscientes da dor que a nação sente em relação a essa trágica e desnecessária morte em Sanford, na Flórida, no ano passado", afirmou Holder.
O procurador-geral assegurou que "o Departamento continuará atuando de maneira coerente com a lei" e "trabalhando para aliviar as tensões e atender as preocupações da comunidade".
Em entrevista à emissora "Fox News", o ex-promotor Alan Vinegrad declarou que o Departamento de Justiça não tem muito poder para apresentar acusações, já que, para isso, teria que provar que o ataque teve um motivo racial.

"Há vários obstáculos fáticos e jurídicos que os juízes federais teriam que superar: teriam que demonstrar não só que o ataque não estava justificado, mas também que o senhor Zimmerman atacou o senhor Martin por sua raça e porque estava usando uma instalação pública, a rua", ressaltou Vinegrad.
O Bureau Federal de Investigações (FBI) já iniciou a busca dessas provas no último ano, embora tenha interrompido suas investigações para não obstaculizar o processo estadual da corte da Flórida.
O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, assegurou na segunda, dia 15, em sua entrevista coletiva diária que a decisão de intervir está nas mãos do Departamento de Justiça e que a possibilidade de levantar acusações federais contra Zimmerman "não é algo que o presidente (Barack Obama) possa decidir".
"Seria inadequado que um presidente opinasse sobre o que o Departamento de Justiça deva fazer", declarou o porta-voz. "Obama não tem nenhuma opinião que expressar sobre a disposição do Departamento de Justiça para tratar este caso", completou.
Na ocasião, Carney também se referiu às declarações feitas pelo presidente Obama no domingo ao julgamento, nas quais pediu uma "reflexão acalmada" à cidadania e reiterou suas condolências pela morte do jovem Martin.
Em reação à absolvição de Zimmerman, manifestações e protestos foram realizados ao longo de todo o fim de semana nos EUA, um fato que resultou em dezenas de detenções tanto em Los Angeles (Califórnia) como Nova York.
A polícia de Los Angeles informou que deteve seis manifestantes entre a noite do domingo, dia 14, e a manhã da segunda-feira, 15. Algumas das pessoas que participavam dos protestos teriam lançado pedras e pilhas nos agentes de segurança, que dispararam balas de borracha em resposta, informou o jornal "Los Angeles Times".
Em Nova York, o protesto reuniu mais de mil pessoas na Times Square na noite do último domingo, dia 15. Na ocasião, a polícia local anunciou a prisão de pelo menos 12 manifestantes.

domingo, 30 de junho de 2013

Facebook e Google comemoram aprovação do casamento gay nos EUA



Da Galileu – 27/06/2013

A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou, no dia 26 de junho, o Doma (sigla em inglês para “Defense of Marriage Act”), lei federal que negava, aos casais do mesmo sexo, os mesmos direitos dados aos parceiros heterossexuais. Seu texto, de 1996, definia “casamento” somente como a união entre um homem e uma mulher. Por esse motivo, foi reavaliado e definido como inconstitucional. Homossexuais terão, agora, direito à herança, previdência social e outros benefícios comuns aos casais heterossexuais.
O decreto representou uma grande vitória para ativistas e simpatizantes da causa. Sem a lei impeditiva, pouco a pouco, os estados norte-americanos vão legalizando a união homoafetiva. Quem pegou carona nas comemorações da comunidade gay foram as grandes empresas de internet, como Facebook e Google.
A primeira usou uma de suas novas funções para reunir os simpatizantes. A função XXX, que acompanha a atualização do status, agora pode ser programada para “feeling pride” (sentindo-se orgulhoso, em inglês), acompanhada de um pequeno arco-íris, símbolo do orgulho gay. O recurso só está disponível para usuários conectados nos EUA e foi confirmado pela empresa como uma singela homenagem à conquista desses tão reivindicados direitos.
O Google também preparou uma surpresinha. Toda vez que o termo “gay” é pesquisado no site, a barra de buscas ganha um adereço especial, também com referência ao arco-íris. Ao contrário da ação do Facebook, essa opção está disponível para todos os países, inclusive o Brasil. Além disso, a ferramenta de busca mundial, que é dono do YouTube, fez um vídeo (Assista acima) para comemorar o ganho de direitos civis pelos homossexuais nos Estados Unidos. O anúncio foi celebrado por todo mundo – até pela cantora Madonna.

Senado dos EUA aprova maior reforma migratória desde 1986

Do Terra – 27/06/2013

O Senado dos Estados Unidos aprovou no dia 27, por 68 votos contra 32, a maior reforma migratória desde 1986, que abre a via para a legalização e eventual de cidadania da população sem documentos, após quase um mês de debate. Embora para entrar em vigor a reforma requeira que a Câmara dos Representantes (Deputados) se pronuncie, e nela a oposição republicana é majoritária, o voto na quinta no Senado aumenta enormemente a pressão a favor de um acordo.
Quatorze senadores republicanos votaram a favor, incluindo o senador pela Flórida, Marco Rubio, figura ascendente do partido conservador, de quem se diz que poderia concorrer à Presidência dos EUA em 2016. Todos os democratas, majoritários na Câmara Alta, apoiaram a proposta legislativa.
A reforma migratória, negociada no Senado por quatro democratas e quatro republicanos, condiciona a legalização dos imigrantes ilegais à segurança de fronteira; aumenta drasticamente a vigilância na fronteira, e estabelece medidas para controlar futuros fluxos migratórios. O voto pôs fim a três semanas de um intenso debate no plenário do Senado, que refletiu as divisões ideológicas em torno de como frear a imigração ilegal rumo aos EUA.
Pouco depois da aprovação no Senado, o presidente Barack Obama pediu que a Câmara dos Representantes vote a favor da reforma. Hoje, "com um forte voto bipartidário", o Senado "deu um passo crítico que nos obriga a regular nosso quebrado sistema de imigração de uma vez por todas", destacou Obama em um comunicado divulgado pela Casa Branca.
O projeto aprovado pelo Senado foi resultado de um "compromisso" e "é consistente com os princípios fundamentais para uma reforma de bom senso que eu e muitos outros estabelecemos em repetidas ocasiões", declarou o presidente americano.


sábado, 29 de junho de 2013

Snowden segue "perdido" há seis dias no aeroporto de Moscou

Da Info – 29/06/2013

Moscou - O ex-técnico da CIA Edward Snowden completa neste sábado seis dias "perdido" na zona de trânsito do aeroporto de Sheremetievo, em Moscou (Rússia), enquanto não se sabe se os EUA aceitarão as condições colocadas pelo pai do fugitivo para que seu filho compareça perante a Justiça americana.
Uma fonte que a agência russa "Interfax" classifica como "conhecedora da situação" assegurou no dia 29 que o funcionário da Agência Nacional de Segurança (NSA) americana não poderá deixar a Rússia antes de se reunir com diplomatas de algum dos dois países que poderiam lhe conceder asilo, Equador e Venezuela.
No dia de hoje, seu status não está definido juridicamente. Para legalizá-lo, deveria sair do aeroporto e se dirigir a uma embaixada, algo que não pode fazer por ter o passaporte cancelado, ou esperar outro encontro com diplomatas latino-americanos" dispostos a irem para Sheremetievo, explicou a fonte.
No entanto, a fonte afirmou que "nem diplomatas equatorianos nem venezuelanos se comunicaram com ele ou pessoas que acompanham seus planos de manter tal encontro. Portanto, a concessão de asilo em um ou outro país é uma questão aberta. Enquanto for assim, ele não pode sair de Sheremetievo nem comprar uma passagem de avião".
A possibilidade de ir para o Equador, país que já dá proteção ao fundador da portal Wikileaks, Julian Assange, é mais factível depois de Quito renunciar às preferências tarifárias que tinha com os Estados Unidos.
Outra porta que pode se abrir para Snowden é a Venezuela, cujo presidente, Nicolás Maduro, assegurou que provavelmente daria asilo ao americano se este solicitasse.
A mensagem de Maduro, que irá para Moscou na próxima segunda-feira para participar do Fórum de Países Exportadores de Gás, foi entendido pelos especialistas como um convite para que o ex-técnico dos serviços secretos americanos peça refúgio a Caracas.
O pai de fugitivo, Lonnie Snowden, no entanto, abriu as portas ontem para que seu filho volte para os EUA.
A família do ex-funcionário da CIA impôs três condições ao Departamento de Justiça americana para o retorno do jovem: que ele não seja preso antes de ser julgado, que o caso não se desenrole em segredo e que o local do julgamento seja definido por Snowden.
Por outro lado, a situação de Snowden pode impulsionar a assinatura de um tratado de extradição entre Rússia e Estados Unidos, declarou hoje uma fonte à agência "Interfax".
"Precisamente a falta de tal acordo é o que não permite às autoridades russas contemplar a entrega do agente do serviços secreto, perdido no aeroporto de Sheremetievo", acrescentou.
A fonte disse ainda que "a parte americana, embora diga o contrário, também não tem pressa em remeter a Moscou uma solicitação oficial para a extradição de seu cidadão privado de passaporte", o que, segundo as autoridades russas, deveria ser feito pelo Departamento de Justiça dos EUA.
A fonte lembrou que em maio do ano passado a Procuradoria Geral da Rússia ofereceu aos americanos formalizar um tratado bilateral de extradição como garantia para "alcançar um novo nível na cooperação no âmbito da luta contra o crime".
O procurador-geral russo, Yuri Chaika, entregou então a proposta de minuta do tratado a seu colega americano, Eric Holder, mas "infelizmente a parte russa não recebeu resposta das autoridades dos Estados Unidos", explicou a fonte.
Aparentemente, Washington recusa assinar um tratado com Moscou pois a Constituição da Rússia proíbe a entrega de seus cidadãos a outros países, mesmo tendo cometido delitos muito graves em território estrangeiro.


Debates - O governo deve monitorar os cidadãos?

Da Folha – 15/06/2013

A revelação de que o governo Obama empenha um monitoramento da comunicação dos cidadãos pelo telefone e pela internet suscitou uma controvérsia.
Na opinião do advogado criminalista José Luis Oliveira Lima, "essa bisbilhotagem poderá causar mais estragos do que uma bomba. Certamente existirão os abusos, bastando lembrar que o governo americano que espiona 'para o bem' é o mesmo que atiça a fiscalização tributária contra seus opositores e que vasculha ligações telefônicas de jornalistas".
Joanisval Gonçalves Brito, especialista em inteligência de Estado pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência), entende que há legitimidade na ação. "Nenhum direito individual é absoluto. A vida em sociedade requer a mitigação de alguns direitos individuais diante de certas necessidades coletivas, como a segurança. Assim, se as pessoas estiverem sob uma ameaça de significativa gravidade, o Estado pode mesmo violar a privacidade para protegê-las, sob a justificativa do imperativo da segurança", argumenta.

Já somos monitorados demais
Membros da Al-Qaeda devem ter ficado satisfeitos em saber que, sob o pretexto de combater o terrorismo, o governo americano instalou uma ampla rede de espionagem por meio do monitoramento geral e indiscriminado de seus próprios cidadãos.
As informações são imprecisas, mas sabe-se que números de chamadas telefônicas de todos os cidadãos foram disponibilizados para serviços governamentais de inteligência. Os dados municiaram os trabalhos de agentes secretos que inseriram e depois retiraram os responsáveis pelo atentado na maratona de Boston do rol de suspeitos. Espiões que, talvez, foram colegas de curso dos ingleses que viram no brasileiro Jean Charles um terrorista no metrô londrino.
Essa bisbilhotagem poderá causar mais estragos do que uma bomba. Certamente existirão os abusos, bastando lembrar que o governo americano que espiona "para o bem" é o mesmo que atiça a fiscalização tributária contra seus opositores e que vasculha ligações telefônicas de jornalistas.
Ainda que sem os inevitáveis abusos, a própria democracia será atingida, uma vez que a intimidade é um elemento essencial para a dignidade da pessoa humana. Desnudado desse pequeno campo de proteção particular, o cidadão perde a capacidade de se enxergar como um ser único e titular de direitos. Por consequência, também não consegue compreender e respeitar as particularidades do outro. Sem o resguardo da vida privada, não há ambiente para o desenvolvimento livre da personalidade, acabando com o oxigênio vital para a sobrevivência de um Estado democrático.
No Brasil, felizmente, a proposta americana de devassa indiscriminada não seria admitida em nosso sistema jurídico. Aqui, a quebra de sigilo somente pode ser autorizada por uma decisão judicial devidamente fundamentada, demonstrando que existem indícios de que aquele específico cidadão é um possível autor de um determinado crime. Primeiro deve vir a fundada suspeita, depois a investigação, jamais o contrário. A violação à intimidade é tratada como medida de exceção, mas, ainda assim, são constantes os abusos.
Confrontadas com uma ordem abusiva, as próprias empresas responsáveis pela guarda dos dados sigilosos podem lutar pelo resguardo da intimidade de seus registros.
Diante de uma ordem de quebra de sigilo manifestamente indiscriminada e genérica, instituições financeiras, operadoras de telefonia e provedores de internet podem impetrar mandado de segurança para impedir uma devassa coletiva que ameace a privacidade de seus clientes.
Exemplificando, um banco possui legitimidade jurídica para se insurgir contra uma ordem de entrega de extratos de todos os clientes de uma agência. Defende-se o direito de guardar segredos. O indivíduo alvo da violação, logicamente, também pode agir para impedi-la ou cobrar reparação pelo dano sofrido.
Ações em defesa da intimidade são cada vez mais necessárias no mundo moderno. Hoje, cada um de nossos passos fica registrado: a compra com cartão de crédito, a multa do automóvel, a conversa na rede social, os sites acessados, os números discados. Ao vivermos já somos involuntariamente monitorados.
Esse enorme banco de dados pode evidentemente ser utilizado no combate ao crime, mas somente diante de uma fundamentada suspeita contra o cidadão. Buscar um maior poder do Estado no uso da tecnologia para um controle social extremo significa rejeitar a democracia e correr em busca do autoritarismo. É justamente nesse momento em que nossa segurança é ameaçada que devemos nos lembrar de que garantias individuais como a intimidade não representam um entrave a nossa proteção, mas, sim, traduzem a essência de nossa humanidade.

JOSÉ LUIS OLIVEIRA LIMA, 47, é advogado criminalista e membro do Instituto dos Advogados de São Paulo


Big Brother e democracia
 Quando, em 1949, George Orwell escreveu o romance "1984", tratou de uma sociedade futurística, na qual o Estado controlava os cidadãos de maneira absoluta, vigiando-os no mais íntimo de sua privacidade, determinando sua maneira de pensar.
Retratou um Estado onipresente, representado pela figura do Big Brother, que tudo via e tudo sabia. Entretanto, "1984" tratava de um regime totalitário. No século 21, o Grande Irmão chegou às democracias.
Nas últimas semanas, com a revelação de que o governo dos Estados Unidos estaria reunindo dados a partir de interceptações telefônicas e acessos irregulares a mensagens e contas na internet de milhões de pessoas, o tema do Estado controlador do cidadão voltou à tona.
Nenhum direito individual é absoluto. A vida em sociedade requer a mitigação de alguns direitos individuais diante de certas necessidades coletivas, como a segurança. Assim, se as pessoas estiverem sob uma ameaça de significativa gravidade, o Estado pode mesmo violar a privacidade para protegê-las, sob a justificativa do imperativo da segurança.
Esse é o argumento do governo Obama. E encontra acolhida em mais da metade dos estadunidenses, segundo pesquisas recentes: 56% dos entrevistados aprovam o monitoramento das comunicações telefônicas, enquanto 41% consideram a prática inaceitável.
Ao menos nos Estados Unidos, o assunto ainda suscitará discussão. E ali parece razoável que o Estado monitore seus cidadãos para protegê-los. Sob a perspectiva do povo norte-americano, a garantia da segurança coletiva e a proteção aos valores democráticos e aos princípios fundadores de sua nação seriam justificativas plausíveis para limitar liberdades individuais.
É certo que direitos fundamentais podem se ver limitados por razões de Estado, em especial quando a sociedade é alvo de ações contrárias à ordem democrática estabelecida. Porém, para que o Estado limite direitos dos cidadãos, é fundamental que haja critérios que impeçam que agentes públicos cometam arbitrariedades.
O monitoramento das contas e comunicações dos indivíduos, se ocorrer, deve ser feito sob rígidos mecanismos legais e institucionais de controle. Caso contrário, abusos serão cometidos pelos órgãos de segurança e inteligência, uma vez que lidam com informação e poder.
De fato, algo que diferencia os regimes democráticos dos autoritários é que, no primeiro caso, os serviços secretos protegem o cidadão e estão sob o mais rígido controle do Judiciário e do Legislativo. Também a sociedade civil organizada, com destaque para o papel da imprensa, deve ter essa prerrogativa.
Se, no país de Obama, é possível e até aceitável de acordo com suas leis, que o Estado monitore os cidadãos, no Brasil essa prática encontra limites claros. A Constituição só permite interceptação telefônica para fins de investigação criminal ou instrução processual e apenas com autorização judicial.
Entretanto, muito difícil será impedir que autoridades estadunidenses monitorem as comunicações de brasileiros. Afinal, quem controlará as ações de política externa dos Estados Unidos? Que força terão os governos de outros países para impedir ou neutralizar iniciativas tecnológicas intrusivas da superpotência?
Seria ingênuo imaginar que, se houver uma determinação de um governo como o dos Estados Unidos, respaldada em leis e em autorização judicial ou legislativa, as informações pessoais de qualquer ser humano pelo globo ficarão a salvo do monitoramento.
Na era do conhecimento e da realidade virtual, as pessoas devem estar conscientes de que podem ser objeto de vigilância, legal ou não. O Big Brother está lá, ainda que não gostemos dele.


JOANISVAL BRITO GONÇALVES, 38, é advogado e especialista em inteligência de Estado pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência)

Edward Snowden, o novo whistleblower do governo Obama

Do Exame.com – 09/06/2013

Washington - A fonte que revelou o programa secreto de vigilância das comunicações de Washington é o jovem americano Edward Snowden, de 29 anos, assessor da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês).
Ele disse ter agido em defesa do interesse público e pela proteção da vida privada dos cidadãos.
"Não quero viver em uma sociedade que faz esse tipo de coisa (...) em um mundo em que tudo que eu faço e digo fica registrado", explicou Snowden, em entrevista por vídeo concedida ao jornal britânico "The Guardian", divulgada neste domingo.
O responsável por um dos maiores vazamentos de documentos sigilosos da história dos Estados Unidos - junto com o soldado Bradley Manning, que está sendo julgado por entregar milhares de telegramas diplomáticos ("cables") ao site WikiLeaks - é um ex-funcionário da CIA.
Snowden disse ao "Guardian" que nunca quis manter o anonimato: "Estou consciente de que vou pagar um preço pelas minhas ações".
"Meu único objetivo é informar as pessoas sobre o que está sendo feito em seu nome e o que se faz contra", justificou, acrescentando que "a NSA mente sistematicamente para o Congresso a respeito da magnitude da vigilância que exerce nos Estados Unidos".
"Captamos mais comunicações eletrônicas nos Estados Unidos do que na Rússia. Vocês não imaginam tudo que se pode fazer. O alcance das suas capacidades é assustador", afirmou.
O jovem contou que decidiu revelar os programas de inteligência à imprensa depois de chegar à conclusão que eram "abusos" contra o público, cometidos em nome da segurança e após esperar que o presidente Barack Obama cumprisse sua promessa de aumentar a proteção dos cidadãos contra essas práticas.
"Mas o presidente continuou as políticas dos seus antecessores", lamentou Snowden.
Há três semanas, teve de deixar a mulher, com quem tinha "uma vida muito confortável" no Havaí, com salário de US$ 200 mil ao ano, e se mudou para Hong Kong antes da divulgação dos vazamentos, relatou ao jornal.
"Estou disposto a sacrificar tudo isso, porque não posso, na minha alma e na minha consciência, permitir que o governo dos Estados Unidos destrua a vida privada, a liberdade da Internet e as liberdades fundamentais de todo o mundo com esse enorme sistema de monitoramento que está sendo realizado secretamente", disse ele.
Nascido em Elizabeth City, na Carolina do Norte (leste), Snowden viveu com a família em Fort Meade, Maryland (nordeste), onde fica a base da NSA.
Na entrevista, admite ter sido um estudante bastante medíocre e revela que não concluiu seus estudos de Informática na Universidade de Maryland.
Em 2003, ele se alistou no Exército e começou o treinamento para se juntar às forças especiais, em nome dos mesmos princípios que hoje ele evoca para revelar os documentos secretos: "Queria combater no Iraque (...) para ajudar a libertar os iraquianos da opressão".
Depois de um acidente, no qual quebrou as duas pernas, ele abandonou o Exército e conseguiu seu primeiro emprego, como segurança, em um dos prédios secretos da NSA, no campus da Universidade de Maryland.
Depois, foi contratado pela CIA, para trabalhar na segurança dos sistemas de informática. Seu conhecimento de Internet e seu talento como programador fizeram sua carreira avançar rapidamente e foi enviado para Genebra.
Ele trabalhava para a NSA há quatro anos, como funcionário terceirizado para diversas empresas, como a Dell, ou Booz Allen Hamilton, seu último patrão.


quarta-feira, 6 de março de 2013

Mississipi, o estado que aboliu a escravidão no século XXI


Do Exame – 21/02/2013

Os livros de história contam que a escravidão nos Estados Unidos foi abolida em 1865. 147 anos depois, o estado do Mississipi o fez. A "culpa" foi do cineasta Steven Spielberg, que com seu filme Lincoln despertou a curiosidade de alguns cidadãos do estado.
Foi o caso, por exemplo, do doutor em neurobiologia Ranjan Batra, professor da Universidade de Medicina do Mississipi, que após ver o filme se perguntou pela história da abolição da escravidão. “Após sair do cinema, comecei a investigar um pouco pela internet qual era a situação do Mississipi naquele momento”, relembra Batra à agência EFE.
Embora o Congresso americano tenha aprovado a lei (a 13º emenda), cada um dos 36 estados que formavam o país naquela época tinha que fazê-lo individualmente, e se até dois terços deles não aceitassem a abolição, ela não entraria vigor.
Em 1865, o Mississipi se negou a assinar o texto, e em 1995 tanto o Senado como sua Câmara dos Representantes locais tinham enfim aprovado aceitá-lo. No entanto, ainda faltava um último passo. “Era necessário que o secretário estadual enviasse a lei aos Arquivos Federais para confirmar sua aceitação da 13ª emenda e esse procedimento nunca chegou a ser feito”, explicou o neurobiólogo.
Com auxílio de outro professor, Batra entrou então em contato com o atual Secretário estadual do Mississipi, Delbert Hosemann, que após a advertência de ambos apresentou a documentação para a aprovação da lei, no dia 30 de janeiro de 2013. "Certamente se trata de algo simbólico, mas era necessário tirar esse asterisco do nome do Mississipi e fazer com que a rejeição de todos os estados à escravidão fosse registrada", afirmou o professor.

EUA: contra tiroteio, mãe contrata agente para vigiar escola da filha


Do Terra  -23/01/2013

Uma mãe americana decidiu contratar um agente para vigiar a escola de sua filha, na Flórida, por temer tiroteios como o ocorrido em Sandy Hook, na cidade de Newtown, em Connecticut.
A emissora Local 6 explica que a Old Kings School, em Flager Beach (Flórida), recebeu um cheque de US$ 12 mil de Laura Lauria, mãe de uma aluna, para financiar o salário de um vigia durante o tempo que esse dinheiro permitir, algo em torno de dois meses.
As autoridades locais desdobraram agentes nas escolas para alunos mais velhos, mas não para os da educação primária (até 14 anos) sob a alegação de que não podem assumir esse custo. A mãe também teria alcançado um compromisso verbal com a diretoria da escola para pagar o salário do agente durante todo o restante de ano letivo.
Pelo menos três pessoas ficaram feridas no dia 22 de fevereiro em um tiroteio ocorrido em um campus universitário no Texas, apenas um mês depois de 27 pessoas, entre elas 20 crianças, terem sido assassinadas em uma escola em Newtown.