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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Debates – O beijo gay


Depois daquele beijo (Editorial)

Da Folha – 05/02/2014

Ao exibir no capítulo final da novela "Amor à Vida" um beijo amoroso entre dois personagens masculinos, a TV Globo atendeu a uma demanda que se intensificava nos últimos anos.
Em que pese a presença regular da temática gay na teledramaturgia nacional, levantava-se a reivindicação de um ato que selasse de maneira convencional o amor entre pessoas do mesmo sexo.
Este ato, segundo as convenções do gênero, é o beijo. Nada mais clássico, com efeito, do que as cenas finais em que galãs e heroínas longamente tocam seus lábios em sinal de união afetiva.
Consumado, o ósculo gay cumpriu seu papel de atrair audiência, provocar polêmicas e reverberar na mídia. Criticado por alguns, foi festejado por homossexuais, em alguns casos como se representasse a redenção da minoria discriminada.
A exultação decorre da hipertrofia midiática: as novelas infiltram-se de tal maneira no cotidiano da população que não raro se confundem com a realidade.
Não há dúvida de que a telenovela pode servir como termômetro moral e comportamental de um determinado momento da sociedade.
Se isso é verdade, o beijo entre pessoas do mesmo sexo passa a fazer parte de um repertório socialmente aceito. Talvez seja a chancela que faltava a um movimento crescente nas últimas décadas.
É forçoso reconhecer e lamentar, no entanto, que a homofobia, em parte como reação aos avanços, ainda resiste.
Enquanto se discutia o final da novela, a polícia investigava mais um caso de agressão a homossexuais ocorrido na região da rua Augusta, no centro de São Paulo.
Ninguém é obrigado a ter simpatia por gays ou gostar de ver dois homens ou duas mulheres se beijando. Daí não se segue, contudo, que seja aceitável a repulsa agressiva à homossexualidade.
Oscila-se, no Brasil, entre a atmosfera de tolerância –e até de celebração– e a rejeição violenta. A Constituição veta a discriminação por raça, sexo ou religião. Os preconceitos, porém, sobrevivem, enraizados em situações históricas e culturais.
Não se muda um país de uma hora para a outra –ou com um capítulo de telenovela. Mas, com todos os limites, o Brasil talvez venha a se tornar menos intolerante depois daquele beijo.


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Beijo gay: a Globo, como sempre, seguindo o imperialismo cultural de Hollywood (Artigo de opinião)

Do GospelPrime – 02/02/2014

O primeiro beijo gay exibido numa novela da TV Globo trouxe o alarde esperado dos habituais propagandistas da causa gay. Se não fosse por esse alarde, eu e muitos outros nunca saberíamos que no último capítulo de “Amor à Vida,” exibido na noite de 31 de janeiro de 2014, uma dupla de homens, Félix (Mateus Solano) e Niko (Thiago Fragoso), fez papel de gays beijoqueiros.
Para quem acompanha Hollywood e a cultura americana, a imitação dos atores globais não mostrou novidade alguma e só era questão de tempo.
Uma jornalista da Globo fez contato comigo hoje, querendo minha opinião sobre esse beijo gay na novela “Amor à Vida.” Minha resposta a ela:
Confesso-lhe que não assisti ao tal beijo gay. Mas com a visibilidade que a Globo dá, com certeza esse beijo se configura em propaganda.
Por que é tão fácil para a Globo copiar os modismos dos EUA, em detrimento da saúde moral, espiritual e física das crianças e adolescentes? Minha opinião é a opinião que está na Bíblia, seguida por milhões de cristãos: beijos e outras carícias de natureza sexual, que devem ser reservados à esfera íntima, são apenas para homens e mulheres. Afeto e amor, que não sejam de natureza sexual, são bons e influenciam de forma positiva as crianças. Só o afeto e o amor deveriam ser expostos a elas.
Pergunte para um muçulmano da Arábia Saudita o que ele pensa do tal beijo gay. No mínimo, a resposta incluirá pena de morte para os beijoqueiros. A Rússia não tem esse radicalismo com pena de morte para homossexuais e, de forma muito apropriada, tem uma lei que protege crianças e adolescentes de propaganda gay. Sei que há muitos funcionários da Globo que apoiam o socialismo e têm um histórico de admiração pela Rússia. Deveriam dirigir a eles a pergunta: “Por que vocês não admiram a Rússia de hoje e suas leis de proteção às crianças?” Sou cristão e sou a favor de se proteger crianças de propaganda gay, inclusive de propagandistas beijoqueiros.
Em vez de seguir fielmente a propaganda hollywoodiana de exposições sexuais às crianças e adolescentes, por que a Globo não tenta seguir o modelo russo, por décadas admirado pelos funcionários globais, de proteção às crianças e adolescentes?
Note que não estou recomendando que a Globo siga os muçulmanos da Arábia Saudita. Sugiro apenas o meio termo entre o radicalismo muçulmano e a propaganda americana descarada do homossexualismo.
Gostaria de ver um funcionário da Globo protestando contra o imperialismo cultural pró-homossexualismo do governo dos EUA.
Gostaria também de vê-lo apoiando a lei russa que protege as crianças desse imperialismo.
De acordo com o Estadão, no exterior, o drag queen americano Ru Paul, estrela do reality show Ru Paul’s Drag Race e militante homossexual, comemorou o beijo gay com internautas em português. Entre as postagens no Twitter, ele comentou: “O beijo gay sentido em todo o mundo! Parabéns, Brasil.” Ele só faltou acrescentar, é claro, que o Brasil foi perfeito na imitação do lado mais podre da cultura americana.
A comemoração no Brasil ficou por conta do militante gay mentiroso deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), que comentou: “Estou em prantos! Amor à vida! Que emocionante essa cena!” Ele é o mesmo que ficou em pratos ao inventar a mentira de que um jovem homossexual em São Paulo, depois de se matar após perder o amante, foi assassinado em crime de “homofobia.”
O militante gayzista Toni Reis disse que a cena de beijo gay na Globo foi um marco na luta contra a “homofobia” no Brasil. Ele viu o óbvio: o tal beijo foi pura propaganda.
Como a Globo é apenas uma antena repetidora dos podres do imperialismo cultural, é de se esperar mais imitações podres no futuro.
Entretanto, o lunático ativismo gay não descansará até cenas de beijo gay alcançarem as crianças do Brasil.
O ator Marcelo Serrado, que fez o papel do homossexual Crô na novela “Fina Estampa”, foi vaiado dois anos atrás, porque numa entrevista para a Folha de S. Paulo, ele disse, sobre a exibição de um beijo gay na TV: “Isso é algo que tem que ir quebrando aos poucos. Não quero que minha filha [Catarina, 7] esteja em casa vendo beijo gay às nove da noite [na TV]. Que passe às 23h30.”
Imediatamente, as turbas bárbaras do movimento gay reagiram no Twitter e outras redes sociais, chamando o ator global de “homofóbico”. Tudo porque ele, como pai, não queria que sua filha de apenas 7 anos de idade assistisse a um beijo gay.
Não expor crianças ao beijo gay é “homofobia,” na opinião dos propagandistas do movimento gay. E isso é só o começo, se o Brasil não conseguir fazer como os russos e criar uma lei para proteger as crianças desse tipo de propaganda nociva.
Com informações do Estadão.


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Mais do que um beijo gay

Da Carta Maior – 06/02/2014

A Rede Globo finalmente liberou o beijo gay. A afirmação soa estranha, pois pode sugerir que uma emissora de televisão tenha poder para arbitrar a subjetividade, os afetos, o desejo, o que é circunscrito à esfera do particular, do pessoal. Óbvio que não. Cada um sabe de si. Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é, escreveu Caetano. Diria mais: muitos sabem das agruras para se enfrentar a sordidez da vida, o preconceito, a intolerância, o olhar censor, o não acolhimento, a chacota, o desprezo, a agressão – seja simbólica, seja na carne golpeada, na pele rasgada, no hematoma contabilizado como violência urbana pelo discurso de recusa à concretude da homofobia. Mas a Globo exibiu dois homens se beijando no dia 31 de janeiro, e isso não é pouca coisa, pois cada um sabe das dores de se constituir e viver nestes tempos em que persiste a intolerância. Portanto, cada vez mais, segue o debate.
Enfim: veio o beijo no epílogo da novela Amor à vida, de Walcyr Carrasco. Na discussão momentaneamente sem fim das redes sociais, alguns tentaram esvaziar a importância do feito, pois se trataria de oportunismo da Globo, de estratégia para conquistar audiência polpuda. A desqualificação sustentava-se ainda no fato de que o gesto provém de emissora cuja programação costuma expor gays estigmatizados, caricatos ou atormentados – ressalvando-se que traços afeminados não devem ser tratados como negativos, pois não existe problema nisso. Havia mais críticas, muitas procedentes, mas arrisco propor que, neste momento, isso tudo não se impõe.
Nos últimos anos, viveu-se no Brasil uma espécie de vigília por um beijo gay em novela de grande audiência. Dois homens e duas mulheres já se beijaram na televisão brasileira, mas sem impacto, por conta da audiência modesta, do pouco destaque dos personagens e do contexto. Perto do final de Amor à vida, estabeleceu-se uma expectativa, quase torcida, nas redes sociais: haveria ou não beijo gay?
Se acontecesse, seria uma derrota pontual da onda fundamentalista que tenta disseminar dogmas morais e religiosos em assuntos que deveriam pertencer ao mundo laico, ao universo do particular. Não se pode esquecer que, em tempos de Felicianos, Malafaias e Bolsonaros, é preciso estar atento para conter o ódio e o preconceito. Assim, dois marmanjões se atracando na TV constituiriam um golpe e tanto contra a sanha dos pastores e do militar travestidos de políticos.
O beijo gay mais comentado em muito tempo apareceu na Globo, mas, se cabe um elogio pelo feito, não é para a emissora, nem para o autor ou os intérpretes. O grande reconhecimento cabe ao movimento LGBT, aos gays e às lésbicas que buscam respeito e dignidade – muitas vezes à custa de sofrimento – e às pessoas que já assimilaram algo estrondosamente óbvio: não faz sentido discriminar alguém por conta da condição sexual.
Esse beijo histórico, retroativamente, construiu-se nos guetos, na clandestinidade, longe do público, em espaços onde o desejo e o afeto eram vividos às escondidas.
Ele resulta também das vozes emanadas das ruas, das manifestações, das alegres e festivas paradas livres. Ele é fruto da coragem de quem ousou ser o que é, mesmo contrariando a barbárie repressora imposta pela sociedade. Não teria capacidade instantânea de erradicar a homofobia, por outro lado, no plano simbólico, é inegável que esse beijo entre iguais instaura um novo patamar no debate pautado pelas temáticas LGBT, e do acúmulo de conquistas e derrotas advém a trajetória de uma causa.
O ranço e o menosprezo com a cultura de massa não devem encobrir o fato irrevogável de que telenovelas – tão desprestigiadas por segmentos mais críticos – incidem na formação do imaginário nacional e pautam muito do que se fala e pensa no cotidiano. Portanto, em um momento de agravamento da violência contra indivíduos cuja sexualidade destoa do padrão heteronormativo, danem-se os pruridos e o preconceito contra telenovelas. Deve ser amplamente comemorado e potencializado o fato de que o folhetim eletrônico permitiu que se avançasse no combate à homofobia. As ruas evidenciam que se vive um acirramento do ódio contra gays – registre-se que, neste texto, não se está falando de outros grupos altamente marginalizados e agredidos, como as travestis, que também têm grande mobilização. No embate pela conscientização, as novelas podem ser aliadas estratégicas.
Se em muitos ambientes e grupos a troca de carinhos entre dois homens ou duas mulheres é vista com naturalidade, não se pode esquecer a existência de pessoas que nunca viram um beijo gay e se surpreenderiam se vissem. Talvez não entendessem. Talvez não tenham condições emocionais e referências culturais para lidar com isso. Desejos represados, interdições morais e religiosas, ignorância – enfim, são muitas as possíveis explicações para a intolerância. Neste contexto, Amor à vida apresentou o beijo entre dois homens como algo comum – o que de fato é –, e algo se rompeu. No ambiente doméstico, a poucos passos do sofá, da poltrona ou da cama, próximo do fogão, seja onde for, dois homens se beijaram.
O empacotamento desse beijo foi bem feito, destoando da edição apressada e das soluções imperfeitas do restante do capítulo final. A linguagem empregada, o plano sequência raro em novelas que antecedeu o clímax, a música do compositor austríaco Gustav Mahler (1860-1911) e as referências ao cineasta italiano Luchino Visconti (1906-1976) – cujo filme Morte em Veneza é caro ao gays – contribuíram para que esse momento da teledramaturgia brasileira se tornasse histórico.
O encontro dos lábios masculinos não se deu com qualquer melodia fácil ou canção da moda. Ao som do Adagietto, quarto movimento da Sinfonia Nº 5 de Mahler, os atores Mateus Solano e Thiago Fragoso consagraram o amor de seus personagens para o grande público. Este trecho, assim como outros da Sinfonia Nº 3 do mesmo compositor, foram usados por Visconti em sua obra que retrata a paixão platônica de Gustav von Aschenbach, compositor no ocaso de sua vida, por Tadzio, efebo belíssimo.
Ainda embebido da referência e ao som de Mahler, o final da novela emulou a derrocada do personagem de Visconti que, sentado à praia, aturdido pela paixão improvável, sucumbe à saúde fragilizada. Félix, o personagem de Solano, acomodou na beira da praia seu pai (Antônio Fagundes), que vestia um chapéu parecido com o de Aschenbach. O beijo, já foi dito, é emblemático, mas o que se processou ao término de Amor à vida talvez seja mais significativo. Pela primeira vez, o pai, que passou toda a trama repelindo Félix, deixando claro sua repulsa, esse mesmo pai, agora com sequelas de um AVC, admite – Adagietto ao fundo – que ama o filho.

Fim.
O que aconteceu naquela noite de sexta-feira não se resume a um beijo. O impacto foi maior do que o provocado por uma passeata gigantesca, por um anúncio de página dupla no jornal de domingo ou por uma propaganda no intervalo do capítulo final da novela. Tratava-se da própria novela, narrativa tipicamente brasileira, detentora de imenso poder de sugestionamento. E, transcorrido pouco tempo, muita coisa já aconteceu. Pastores neopentecostais protestaram e propuseram boicote à Globo, enquanto falam em diabo e degradação moral com uma retórica apocalíptica e esvaziada de lógica.
Na contramão da intolerância e do transe místico-homofóbico, as singularidades das vidas ordinárias sinalizaram que não imperam apenas trevas. O clima de final de campeonato de futebol e os gritos de comemoração que esquentaram ainda mais a noite abrasada do verão, quando Solano e Fragoso se beijaram, expressam acolhida. Um ex-aluno, emocionado, registrou em seu Facebook o recado que recebeu do pai via celular: “Filho, teve o beijo do Félix. O pai te ama”. Outro aluno, não menos comovido, compartilhou na mesma rede social que a mãe comemorou como se fosse uma vitória dela – e é.
Há mais histórias que começaram a aparecer no rastro da novela. No dia seguinte ao capítulo derradeiro, Maju Giorgi, mãe e militante da causa gay, reproduziu em seu blog o relato que recebeu de um menino que não era aceito pela família:
“Estavam todos na sala… eu no sofá quando o Félix beijou o carneirinho… Silêncio…Fiquei quieto também pra não dar motivos, embora estivesse fazendo a drag por dentro… Mas a cena final, do Félix e do César, eu não aguentei, veio um choro descontrolado que estava preso esses quatro anos que não falamos direito, estava total descontrole… daí veio minha mãe com a cara inchada de chorar me abraçar e meu pai do outro lado segurou minha mão e pôs a mão em volta do meu ombro… Não falamos nada! Na hora de dormir, o Felipe (irmão) entrou no quarto, deu a mão e quando eu ia apenas apertar, ele me puxou, deu um abraço e disse que ele sempre vai ser meu irmão. E chorei de novo… Pela primeira vez não dormi no inferno…”.
É importante que se mantenha os fatos em sua configuração original. Nas redes sociais, surgiram comentários pretensamente engajados de que não se tratava de um beijo gay, mas de um beijo de amor. Sim, um beijo de amor, mas protagonizado por dois homens. Apagar o gênero dos personagens é tentativa de sublimar a homossexualidade do casal. Não foi um beijo qualquer, foi um beijo entre dois homens na programação de uma emissora que influencia fortemente o imaginário do país.
Não deixa de ser estranho que, em 2014, se comemore a representação ficcional de um beijo entre pessoas do mesmo sexo. Mais estranho ainda é a dependência que se tem de uma emissora de televisão. Mas assim se processa a construção de um imaginário social pautado em grande medida pela mídia, então, o que se deve esperar é, conforme campanha recente da ONG Somos – Comunicação, Saúde e Sexualidade, “Que, daqui pra frente, qualquer beijo seja simplesmente um beijo”.
Foi um beijo tímido, é verdade. Faltou gana. Não se deve esquecer, no entanto, que, conforme o roteiro, era um beijo trivial, matinal, de despedida entre alguém que fica em casa e outro que vai trabalhar. O autor queria algo prosaico e amoroso. Não se deve esquecer, sobretudo, o mais importante: no último capítulo da telenovela em horário nobre da emissora com maior audiência no Brasil, dois barbados se beijaram, e o pai preconceituoso assumiu seu amor pelo filho gay.

(*) Vitor Necchi é jornalista e professor.

http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Cultura/Mais-do-que-um-beijo-gay/39/30197

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Políticos da Alemanha defendem asilo no país para homossexuais russos

Da DW – 11/08/2013

O encarregado de direitos humanos do Partido Liberal Democrático (FDP) da Alemanha, Markus Löning, classificou como "insustentável" a situação de lésbicas e gays russos. Em entrevista publicada pelo jornal Welt am Sonntag neste domingo (11/08), ele pediu aos estados alemães que atendam "de forma descomplicada aos homossexuais da Rússia que procurem asilo em nosso país".
Outros políticos alemães de peso deram declarações semelhantes ao jornal, entre eles o chefe da bancada parlamentar do partido A Esquerda, Gregor Gysi, a deputada verde Marieluise Beck e a ministra da Justiça, Sabine Leutheusser-Schnarrenberger.
A ministra liberal-democrata disse que, com a "exclusão dos homossexuais", a Rússia "está dando mais um grande passo na direção de uma perfeita ditadura", enquanto Beck informou sobre as possibilidades legais de um asilo para homossexuais.
"Já existem hoje, na lei alemã, os critérios de perseguição por questões de gênero e não estatal", explicou a deputada. Portanto "há uma base legal para conceder proteção na Alemanha aos homossexuais perseguidos na Rússia, após o exame individual do caso", afirmou a parlamentar.

Jogos de Inverno na berlinda
Em junho, o governo de Vladimir Putin aprovou uma lei que prevê punição para quem se manifestar de forma positiva sobre a homossexualidade na presença de menores ou nos meios de comunicação. Estrangeiros que infringirem a lei estão sujeitos a multas equivalentes a 2,3 mil euros, assim como a penas de prisão de até 15 dias ou mesmo à deportação.
A proibição de "propaganda gay" na Rússia desencadeou repúdio não só na Alemanha, como também no resto da Europa e nos Estados Unidos. Alguns políticos conclamam ao boicote das Olimpíadas de Inverno de 2014, a se realizarem na cidade russa de Sóchi.
O parlamentar democrata-cristão alemão Jens Spahn declarou ao Welt am Sonntag que "é grotesco que o mundo seja recebido em um país onde, por lei, se faz uma campanha de agitação contra gays e lésbicas".
Volker Beck, da Aliança 90/Os Verdes disse considerar cogitável uma transferência da sede dos Jogos Olímpicos. O deputado alemão de 52 anos é ativista de longa data dos direitos dos homossexuais. Em 2007, foi agredido fisicamente e preso em Moscou por protestar em favor dos gays no país.
Reino Unido e EUA recuam
Apesar de manifestar indignação pela legislação discriminatória do Kremlin, os governos dos EUA e do Reino Unido se declararam contra o boicote ao torneio esportivo no ano que vem. "Seremos capazes de combater melhor os preconceitos se participarmos, em vez de boicotarmos os Jogos de Inverno", declarou o primeiro-ministro britânico, David Cameron.
No início da última semana, referindo-se à Rússia, o presidente americano, Barack Obama, chegara a declarar que não tem "paciência" com países que promulgam leis anti-gays. No entanto, numa coletiva de imprensa na sexta-feira, em Washington, ressalvou que um boicote a Sóchi seria um "gesto inapropriado".

http://www.dw.de/pol%C3%ADticos-da-alemanha-defendem-asilo-no-pa%C3%ADs-para-homossexuais-russos/a-17012301

domingo, 30 de junho de 2013

Facebook e Google comemoram aprovação do casamento gay nos EUA



Da Galileu – 27/06/2013

A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou, no dia 26 de junho, o Doma (sigla em inglês para “Defense of Marriage Act”), lei federal que negava, aos casais do mesmo sexo, os mesmos direitos dados aos parceiros heterossexuais. Seu texto, de 1996, definia “casamento” somente como a união entre um homem e uma mulher. Por esse motivo, foi reavaliado e definido como inconstitucional. Homossexuais terão, agora, direito à herança, previdência social e outros benefícios comuns aos casais heterossexuais.
O decreto representou uma grande vitória para ativistas e simpatizantes da causa. Sem a lei impeditiva, pouco a pouco, os estados norte-americanos vão legalizando a união homoafetiva. Quem pegou carona nas comemorações da comunidade gay foram as grandes empresas de internet, como Facebook e Google.
A primeira usou uma de suas novas funções para reunir os simpatizantes. A função XXX, que acompanha a atualização do status, agora pode ser programada para “feeling pride” (sentindo-se orgulhoso, em inglês), acompanhada de um pequeno arco-íris, símbolo do orgulho gay. O recurso só está disponível para usuários conectados nos EUA e foi confirmado pela empresa como uma singela homenagem à conquista desses tão reivindicados direitos.
O Google também preparou uma surpresinha. Toda vez que o termo “gay” é pesquisado no site, a barra de buscas ganha um adereço especial, também com referência ao arco-íris. Ao contrário da ação do Facebook, essa opção está disponível para todos os países, inclusive o Brasil. Além disso, a ferramenta de busca mundial, que é dono do YouTube, fez um vídeo (Assista acima) para comemorar o ganho de direitos civis pelos homossexuais nos Estados Unidos. O anúncio foi celebrado por todo mundo – até pela cantora Madonna.

Lei argentina de fertilização assistida inclui casais homossexuais

Da Agência Brasil – 06/06/2013

Buenos Aires – A partir do dia 06 de junho, casais homossexuais argentinos poderãom recorrer a tratamento de fertilização assistida. A nova lei, aprovada no dia 05, pela esmagadora maioria da Câmara de Deputados, não faz distinção entre casais heterossexuais e do mesmo sexo ou ainda solteiros, que querem mas não podem ter filhos sem tratamento. Atualmente há 600 mil casais na Argentina nestas situações.
A lei estava em discussão há um ano e determina que qualquer pessoa com mais de 18 anos – qualquer que seja o estado civil ou orientação sexual – terá acesso a técnicas de reprodução médica, mesmo as de alta complexidade. Menores de 18 anos que, por problemas de saúde corram risco de não poder procriar no futuro, também terão direito a congelar seus gametas ou tecidos reprodutivos.
O texto da lei estava em discussão há um ano e havia sido modificado pelo Senado. Em seguida o texto voltou para a Câmara dos Deputados e foi aprovado por 203 votos a favor, um contra e dez abstenções. O custo dos tratamentos varia entre R$ 800 e R$ 20 mil. Agora, essas técnicas de reprodução assistida estarão incluídas no Programa Médico Obrigatório (PMO) e nos serviços básicos oferecidos por planos de saúde privados e de sindicatos.
Segundo o presidente da Comunidade Homossexual Argentina (CHA), Cesar Cigliutti, a aprovação da lei é mais uma prova de que “a Argentina é o país da América Latina que mais respeita a diversidade”. Os argentinos já contam, desde 2010, com uma lei permitindo o casamento entre pessoas do mesmo sexo e, no ano passado, aprovou lei autorizando travestis e transexuais a escolher o nome e o sexo que querem colocar em documentos de identidade.


Opinião - Projeto que autoriza a "cura gay" é lançado na Comissão de Direitos Humanos da Câmara

Programa Entre Aspas da Globo News, do dia 02/05/2013:

O sofrimento dos homossexuais, ao contrário do que quer ser defendido, não reside na própria condição do indivíduo gay, mas, sim, a causa deste flagelo "é a difícil adaptação a uma sociedade cheia de preconceitos" (Jairo Bauer, psiquiatra).

Debatedores:
- Carla Biancha Angelucci - Doutora em Psicologia pela USP - Universidade de São Paulo - e integrante do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo;
- Roberto de Lucena - Deputado Federal do Partido Verde (PV) de São Paulo e relator deste projeto de decreto, quando ainda tramitava na Comissão de Seguridade Social e Família.

Assista ao debate no link abaixo:

Opinião - Efeitos colaterais da 'cura gay'

Do Estadão – 30/06/2013

Na última semana, enquanto em uma decisão histórica a Suprema Corte dos EUA derrubava a lei que proibia o governo federal de reconhecer matrimônios entre pessoas do mesmo sexo, um triste balanço divulgado aqui pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH) revelava um aumento de 46,6% nos casos de violência física, psicológica e discriminação contra homossexuais no Brasil em 2012. As vítimas mais frequentes foram homens jovens e gays, com idade entre 15 a 29 anos.
Na América, o presidente Barack Obama comemorava o resultado, que garante mais igualdade e benefícios para os casais do mesmo sexo. Uma semana antes, em meio à tempestade de protestos e manifestações que só cresciam no Brasil, o deputado e pastor evangélico Marco Feliciano (PSC-SP) festejava a aprovação do projeto conhecido como "cura gay" (PDC 234/11) na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, que é presidida por ele. O projeto ainda precisa passar pela Comissão de Seguridade e pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania para ir a plenário, o que se espera que não deva acontecer.
A última semana foi também de algumas vitórias importantes das manifestações populares: queda do valor nas passagens de ônibus em diversas cidades, a rejeição da PEC 37 quase por unanimidade, corrupção sendo votada como crime hediondo e a promessa do passe livre para estudantes, entre outras. As ruas catalisaram mudanças rápidas em questões que pareciam estagnadas na pasmaceira que se instalou no País. Ao mesmo tempo protagonista e vítima de conchavos, alianças imobilizadoras e apego excessivo aos privilégios e poderes, nossa classe política tem amargado sucessivos fiascos. Um deles é Feliciano na presidência dessa comissão e a aprovação, sob seu comando, do projeto da "cura gay".
A questão central é que algumas dessas bizarrices podem culminar em mensagens de intolerância, preconceito e discriminação contra homossexuais, negros e mulheres, o que só aumenta a violência no País.
Não há como redirecionar (ou "curar") a orientação sexual de ninguém. Primeiro, porque homo ou bissexualidade não são transtornos ou doenças. São simplesmente variações possíveis do afeto e da sexualidade do ser humano. Depois, porque um suposto tratamento é absolutamente inócuo: um método sem resultados práticos ou comprovação da ciência. Pode dar choque, apertar os testículos, amputar clitóris, aplicar hormônio, criar estímulos aversivos, fazer lavagem cerebral (pasme, mas esses métodos medievais foram utilizados ao longo da história!) que a orientação sexual não muda. Da mesma forma que quem é baixo não vira alto, quem é branco não vira negro, gay não vira heterossexual, assim como heterossexual não vira gay. Cada um é o que é!
Nos primeiros anos de qualquer curso na área de saúde, aprendemos que nosso papel é ajudar, tratar, aliviar o sofrimento e curar, quando possível. A nós, não cabe julgar ou avaliar condutas e atitudes. Não é de nossa atribuição dizer se é certo ou errado o que um paciente faz, pautando essa avaliação em nossas crenças pessoais, religiosas, morais, éticas, políticas, etc. Da mesma forma, não deveria caber a um político tomar decisões que estão fora da sua alçada, baseado em suas convicções próprias, que não refletem os anseios da maior parte da população.
Com base em evidências científicas e com a progressiva dissociação da medicina e da psicologia das questões culturais e religiosas desde meados do século passado, a Organização Mundial da Saúde e, no Brasil, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) proibiram charlatães e fanáticos de tentar converter gays em heterossexuais, em curar o que não é doença por meio de supostos tratamentos "normatizadores" do comportamento sexual. Além de perpetuar um sofrimento desnecessário à pessoa, essas tentativas não levam a lugar nenhum. Terapeutas, médicos e psicólogos de orientação religiosa (seja ela qual for) têm de aprender a separar suas crenças da vida do paciente. Não faz o menor sentido reverter a resolução do CFP, em vigor desde 1999.
No momento em que os jovens saem às ruas para tentar mudar o que está errado, para pensar em um Brasil mais justo, é inadmissível tolerar que uma conduta política, pautada por supostas crenças pessoais e religiosas, determine rumos e decisões sobre o que é absolutamente particular na vida de cada um.

JAIRO BOUER é psiquiatra e trabalha em saúde e prevenção.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

# Fica a dica


A vida de Harvey Milk mudou a história, e sua coragem mudou vidas. No início dos anos 70, o nova-iorquino resolveu viver em São Francisco com o namorado (no filme, intepretado por James Franco), abrindo a famosa loja Castro Camera, e surgiu como voz das minorias (principalmente homossexual) no decorrer dos anos 60 e 70, o que se perpetua até a atualidade.
O filme Milk - A Voz da Igualdade (2008), indicado oito vezes e ganhador de duas estatuetas do Oscar, retrata a luta e trajetória política e pessoal de Harvey Milk (Sean Penn), o primeiro gay assumido a ser eleito para um cargo público nos Estados Unidos considerado ícone na defesa dos direitos civis, assassinado em 1978.
Milk entrou na política para impedir que a polícia da cidade caçasse e matasse homossexuais impunemente. De ativista a supervisor distrital, deu aos gays uma voz ativa, uma voz que os unisse e que os expusesse de maneira igualitária.


Deputados russos são a favor de proibição da “propaganda homossexual”


Do Euronews - 25/01/13

Um beijo em público durante uma manifestação da comunidade homossexual russa poderá ser, em breve, punido por lei no país. O parlamento russo aprovou no dia 25 de janeiro, em primeira leitura, um projeto lei que proíbe a difusão do que considera ser “propaganda homossexual” junto de menores.
O texto, que poderia abranger as conhecidas “paradas gay” ou outras manifestações da comunidade homossexual, foi aprovado com apenas um voto contra e uma abstenção.
Uma decisão que reflete um parlamento largamente dominado pelo partido Rússia Unida e defensor do que considera ser, “os valores tradicionais russos”, por oposição aos valores “liberais” ocidentais.
Uma ativista da causa gay afirma, “a lei não define o que é propaganda homossexual e é compreensível, porque esta propaganda não existe”. Segundo a lei, ‘toda a informação que equipare os valores tradicionais a relações maritais não ortodoxas’ é considerada propaganda gay. O texto é criticado por várias organizações de defesa dos direitos humanos, em um país onde a homossexualidade era considerada uma doença mental até 1999.