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domingo, 1 de setembro de 2013

Ataque à Síria acontecerá mesmo sem aval do Congresso, dizem Estados Unidos

Do UOL – 01/09/2013

John Kerry, secretário de Estado dos Estados Unidos, afirmou no domingo, 1º de setembro, que o país atacará a Síria mesmo sem o aval do Congresso. Em entrevista o canal norte-americano CNN, Kerry disse ainda que foi confirmado o uso de gás sarin pela Síria nos ataques a civis do país, apesar de o regime sírio desmentir.
A descoberta foi feita depois de o governo americano ter acesso a amostras de sangue e de cabelo doadas por socorristas de Damasco das vítimas do ataque, no qual segundo os EUA morreram 1.429 pessoas, "deram positivo" para exposição ao sarin, detalhou Kerry.
"Achamos que o caso (contra a Síria) é poderoso e continua crescendo a cada dia", disse o chefe da diplomacia americana, que se mostrou convencido de que o Congresso dará ao presidente Barack Obama a autorização solicitada para uma ação militar contra o regime de Bashar al Assad.
O gás sarin é uma substância tóxica que afeta o sistema nervoso e causa lesões semelhantes a queimaduras pelo corpo. Seu uso é vetado pela comunidade internacional.
A prova recolhida a revelia da ONU "reforça o apelo do presidente Barack Obama por uma ação militar", disse Kerry.
"O presidente fez sua escolha primeiro e a anunciou. Sua decisão é que ele acredita que os Estados Unidos devem fazer uma ação militar para deter Assad de usar suas armas. Essa é a sua decisão. Ele tem o direito de fazer, não importa o que o Congresso faça", disse Kerry.
O secretário disse ainda que a administração de Obama trabalha para ganhar apoio entre os legisladores.
Uma missão da ONU foi à Síria para investigar o uso de armas químicas. A equipe de inspeção, liderada pelo cientista sueco Åke Sellström, permaneceu no país entre os dias 18 e 30 de agosto, quando os inspetores partiram para a Holanda com amostras que serão analisadas pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), localizada em Haia. A ONU não informou sobre qualquer resultado das amostras.
No domingo, dia 1º, o jornal britânico "Le Journal du Dimanche", afirmou que os serviços franceses de inteligência têm provas de que o regime sírio de Bashar Assad possui mil toneladas de armas químicas e agentes tóxicos entre gás sarin, mostarda e VX, e que utilizou esse tipo de arsenal no dia 21 de agosto.
No dia 31 de agosto, Obama anunciou que decidiu pela ação militar no país, mas que esperaria o aval do Congresso, que deve votar sobre o caso depois de voltar do recesso em 9 de setembro.
A ação militar dos EUA seria uma retaliação ao governo sírio, acusado de usar armas químicas contra civis no país. Obama falou que o episódio foi o "pior ataque químico do século 21".
A Síria vive uma guerra civil desde 2011, entre grupos rebeldes e forças do governo, que causou um enorme êxodo do país, com milhões de refugiados, e mais de 100 mil pessoas mortas.
"Estou confiante que o governo fará o que tiver que ser feito", disse Obama. "Que mensagem nós daremos se não fizermos nada?"
Obama disse ainda no sábado, dia 31 de agosto, que o país "não pode fechar os olhos para o que está acontecendo em Damasco" e que ele não foi eleito para "evitar decisões difíceis".
O presidente citou que as imagens divulgadas de pessoas queimadas, as quais chamou de 'terríveis',  foram um "insulto a dignidade humana".
Logo após o pronunciamento de Obama, o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, disse que "entende e apoia" a decisão do presidente dos Estados Unidos.

Na quinta-feira, dia 29 de agosto, Cameron teve que desistir de participar dessa operação militar após perder uma votação no Parlamento.
Uma pesquisa divulgada no domingo, dia 1º de setembro, pelo jornal britânico "The Observer", mostrou que aproximadamente 60% dos cidadãos do Reino Unido são contrários à participação de seu país em um possível ataque à Síria.
Antes do anúncio, legisladores dos EUA já pressionavam o presidente por mais informações, e muitos expressavam reservas sobre o custo e o impacto dos potenciais ataques.
O anúncio acontece um dia depois de a Casa Branca divulgar um relatório no qual aponta o regime de Damasco responsável pelo ataque com armas químicas em 21 de agosto, que matou pelo menos 1.429 civis, sendo um terço deles crianças.
A maioria dos norte-americanos não querem que os EUA façam uma intervenção na Síria. Uma pesquisa Reuters/Ipsos feita na semana do dia 26 de agosto mostrou que apenas 20 por cento acreditam que o país deveria tomar uma ação, isso ante nove por cento uma semana antes. (Com agências internacionais)

Confira mais informações, mais fotos e vídeos sobre a Síria e a intervenção internacional nos links:

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Conflito na Síria: a primavera que não consegue se estabelecer

Do Brasil Escola

A Síria está atravessando um período bastante turbulento com o crescimento das revoltas contra o governo de Bashar al-Assad. Mesmo com as sanções impostas pela ONU, o presidente sírio não abre mão do poder e a escalada de violência aumenta a cada dia.

Desde o início dos protestos sociais em março de 2011, a Síria atravessa um momento de grave tensão social. A maioria da população corresponde aos sunitas, divisão do islamismo que abrange cerca de 90% dos islâmicos do mundo. O presidente sírio Bashar al-Assad pertence à seita islâmica alauita, uma vertente dos xiitas. Os alauitas podem ser considerados como a elite econômica e política da Síria, possuindo também uma posição privilegiada nas forças armadas. O governo sírio é apoiado pelo Irã, país de maioria xiita e que é declaradamente opositor à dominação geopolítica do ocidente na região. Recebe também grande influência do grupo xiita Hezbolah, milícia islâmica que luta pela criação de um Estado palestino e que recentemente assumiu o poder no vizinho Líbano.
Bashar al-Assad chegou à presidência no ano de 2000 após o falecimento de seu pai, Hafez al-Assad, prometendo uma série de reformas que nunca foram realizadas. O partido Ba’ath governa a Síria desde 1963 e pouco tempo depois que chegou ao poder impôs censura à imprensa e decretou um Estado de Emergência, que é quando o governo pode tomar medidas que contrariam os direitos civis em nome dos ideais do Estado, efetuando prisões, impondo toques de recolher, entre outras medidas.
Atualmente o país é governado por uma espécie de cartel formado por governistas e empresários. Algumas reformas políticas foram realizadas nos últimos anos, mas não foram suficientes para impedir as manifestações da população civil que começaram na cidade de Deraa, ao sul, e que se espalharam por todo o país. A violência aumentou muito, e os dados da ONU indicam ao menos 10.000 mortes em 1 ano de conflito.
Ao final do mês de abril de 2011, o governo encerrou o Estado de Emergência que vigorou no país por 38 anos, afirmando que as manifestações políticas pacíficas seriam permitidas no país. Após a projeção internacional da crise, o líder sírio tentou convencer a ONU que as ações contra os manifestantes não eram intensas, diferente das informações que os rebeldes e os opositores em exílio expuseram para a comunidade internacional. ONU e Liga Árabe procuraram saídas diplomáticas e negociaram um cessar-fogo que aparentemente não foi praticado. Os bombardeios contra os focos de resistência rebelde ainda são constantes.
As deserções de soldados sírios começaram a ajudar os opositores, que pretendem criar um conselho transitório de governo. Os principais alvos dos rebeldes são os símbolos do poder do governo, como delegacias e tribunais. As cidades de Aleppo (a mais populosa e importante) e a capital Damasco concentram a maior parte dos confrontos. O número de refugiados já ultrapassa a marca de 250 000 indivíduos, a sua maioria em direção à Jordânia.
Os Estados Unidos parecem não querer interferir diretamente na questão Síria por entenderem o momento inoportuno para encarar o Irã, que pode se sentir ameaçado ao ver o ocidente interferindo nas políticas internas do seu aliado. Além disso, a característica apresentada pelo governo norte-americano de Barack Obama é evitar “novos Iraques”, isto é, guerras dispendiosas do ponto de vista financeiro e humano. Há uma disposição por parte da ONU de tomar medidas mais drásticas contra Bashar al-Assad, que são veementemente refutadas por China e Rússia, países que possuem em seus territórios conflitos separatistas e etnias que buscam autonomia. Várias sanções políticas e econômicas já foram impostas, como o congelamento dos bens do Estado sírio e a suspensão da comercialização do petróleo, principal produto exportado pelo país. A saída de al-Assad é algo inevitável, mas pode ceifar milhares de vidas até a sua consumação.
 Júlio César Lázaro da Silva
Colaborador Brasil Escola
Graduado em Geografia pela Universidade Estadual Paulista - UNESP
Mestre em Geografia Humana pela Universidade Estadual Paulista - UNESP


Opinião: Existe esperança para os sírios?

Da Carta Capital – 22/08/2013

As horrendas imagens das vítimas de um aparente ataque com armas químicas em Ghouta, subúrbio de Damasco, correm o sério risco de entrar para a história apenas como mais uma das atrocidades cometidas na guerra civil da Síria. A ofensiva pode ser a mais grave do tipo desde 1986 (quando Saddam Hussein matou ao menos 3,2 mil curdos), o que configuraria uma derrota moral da comunidade internacional, mas ainda assim pode ficar impune. A dificuldade de comprovar a autoria do ataque é imensa e, caso isso ocorra, não parece haver disposição e possibilidades factíveis para punir os responsáveis.
Diversos especialistas ouvidos pela mídia internacional apontam que as fotos e, principalmente, os vídeos postados na internet indicam o uso de armas químicas em Ghouta. As imagens parecem trazer ao presente alguns dos piores relatos da Primeira Guerra Mundial. As vítimas têm dificuldade de respirar, algumas apresentam convulsões, tremedeiras e espumam pela boca. Os corpos de mulheres e crianças estão nas pilhas de mortos.
A oposição síria atribui os ataques a Bashar al-Assad. É uma acusação verossímil. Em abril, França, Israel e Reino Unido afirmaram que “muito provavelmente” o regime realizou ataques químicos em pequena escala. Para um especialista, a estratégia de Assad era inserir aos poucos esse tipo de armamento no conflito (como fez com tanques, helicópteros, caças e mísseis) para testar a reação da comunidade internacional. Não se sabe por qual razão Assad usaria esses armamentos num momento em que os ventos da guerra sopram a seu favor.
O governo sírio negou de forma veemente o uso de agentes químicos e a Rússia, sua principal aliada, atribuiu os ataques aos rebeldes. Não é impossível. O Jabhat al-Nusra, braço da Al-Qaeda que atua nas fileiras rebeldes de forma proeminente, pode ter algum tipo de arma química. O uso na escala em que os vídeos de Ghouta mostram, entretanto, seria uma grande surpresa em termos da capacidade da oposição. A motivação seria provocar a comunidade internacional a intervir.

ONU continua paralisada
Se comprovado o uso de armas pelos rebeldes, muito provavelmente o apoio ocidental a eles ficaria insustentável. A pressão de organizações humanitárias, da mídia e de outros setores da sociedade civil faria minguar a pouca ajuda que Estados Unidos, França e Reino Unido enviam aos opositores de Assad. Para esses países seria, também, uma forma de lavar as mãos e abandonar um conflito visto por muitos como insolúvel.
Se for comprovado que Assad foi o responsável pelo ataque, a comunidade internacional seria instada agir. Das Nações Unidas não virá o sinal verde para a intervenção. A entidade é a melhor organização que os seres humanos foram capazes de criar para não nos matarmos até o fim dos tempos, mas ela é inoperante neste caso. Ao que consta, a Rússia bloqueou, em reunião do Conselho de Segurança na noite de quarta-feira 21, uma resolução que condenava o ataque. Após o encontro, o vice-secretário-geral da ONU, Jan Eliasson, disse que a entidade "vê necessidade" de investigar o ataque na Síria e "espera" que o governo sírio autorize a investigação.
A constrangedora declaração revela o que o mundo já sabe. Ninguém pode forçar Assad, o principal suspeito do ataque, a autorizar a investigação. Nesta semana, chegou à Síria um pequeno grupo de inspetores da ONU para avaliar denúncias de uso de armas químicas em março. A ONU tenta obter autorização do regime para enviar os inspetores para Ghouta, mas é improvável que Assad a conceda. Como a forma ideal de comprovar o uso de armamentos com toxinas seria examinar as vítimas logo após o ataque, talvez o caso prossiga duvidoso por muito tempo.
A alternativa à ONU é uma ação unilateral das potências ocidentais, como a que houve na Líbia. O ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, afirmou que o Ocidente deveria reagir “com força”, mas afastou qualquer possibilidade de enviar tropas à Síria. A porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos rechaçou perguntas sobre a “linha vermelha” estabelecida por Barack Obama em agosto de 2012, quando o presidente dos Estados Unidos disse que o uso de armas químicas “mudaria seus cálculos”. “Não estou falando sobre linhas vermelhas. Não estou tendo um debate ou conversa sobre linhas vermelhas e não estou estabelecendo linhas vermelhas”, afirmou Jen Psaki. William Hague, o ministro do Exterior do Reino Unido, manifestou indignação com o ataque e afirmou que espera ver, “um dia”, a punição dos culpados.
A guerra civil síria está em seu terceiro ano. Deixou mais de 100 mil mortos, 1,8 milhão de refugiados e provoca instabilidade política no Líbano e no Iraque. A ONU está paralisada e as potências ocidentais, que poderiam mudar a história numa mistura de interesses humanitários e imperialistas, temem entrar no conflito e torná-lo ainda pior, com o envolvimento do Irã e de Israel. Neste contexto, resta à comunidade internacional observar, estarrecida, mais um fracasso da humanidade. Diante do dilema, os governos de EUA, França e Reino Unido optam por dar declarações genéricas. Preferem pedir justiça em longo prazo. Só que em longo prazo, como lembrou John Maynard Keynes, estaremos todos mortos.
por José Antonio Lima


França defende força na Síria caso ataque químico seja comprovado

Da Folha – 22/08/2013

França defendeu na quinta-feira, dia 22 de agosto, o uso de uma força internacional para resolver o conflito na Síria caso sejam comprovadas as denúncias de rebeldes de que o regime de Bashar al-Assad realizou um ataque com armas químicas na madrugada de quarta-feira, dia 21.
Segundo a oposição síria, tropas aliadas ao ditador bombardearam quatro cidades da periferia de Damasco com um gás que afeta o sistema nervoso, deixando centenas de mortos. O regime sírio nega a acusação e voltou a dizer que nunca usou armas químicas contra os rebeldes nos dois anos de conflito.
A denúncia causou forte reação da comunidade internacional, em especial de Paris, Londres e Washington, que apoiam a oposição síria. O Conselho de Segurança da ONU pediu "clareza" sobre o ataque.
Uma equipe de monitores que está na Síria ainda não recebeu autorização do regime sírio para chegar ao local. O uso de armas químicas foi a condição imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para realizar uma intervenção militar.
Em entrevista ao canal francês BFM, o chanceler francês, Laurent Fabius, pediu uma reação da comunidade internacional mesmo que não haja uma decisão enérgica do conselho da ONU, que pode ser impedida pela Rússia, aliada do regime sírio.
"Teria de haver uma reação com força na Síria por parte da comunidade internacional, mas não há dúvida sobre o envio de tropas ao terreno".
Na quinta, dia 22, a Alemanha também pediu investigação do incidente. Já a Turquia afirmou que "todos os limites já foram ultrapassados na Síria" e criticou as potências ocidentais por não terem tomado nenhuma ação para impedir a continuidade do conflito, que já deixou mais de 100 mil mortos, segundo a ONU.

IRÃ
O chefe da diplomacia do Irã, Mohammad Javad Zarif, acusou os rebeldes de terem feito o ataque químico. "Se a informação relacionada com o uso de armas químicas é exata, com certeza foram usadas pelos grupos terroristas e outros que renunciaram à fé islâmica, que demonstraram não retroceder ante qualquer crime".
A acusação dos iranianos acontece após a Rússia ter dito na quarta, dia 21, que grupos rebeldes que atuam na área do suposto ataque foram os responsáveis por lançar o foguete com o agente químico. A área é dominada por diversas milícias opositoras, incluindo a Frente al-Nusra, vinculada à rede terrorista Al Qaeda.
Em entrevista à agência de notícias France Presse, integrantes do Exército sírio afirmaram que o uso do gás de destruição em massa seria um suicídio político, visto que era o primeiro dia de trabalho de uma missão da ONU destinada a investigar a aplicação de armas químicas no conflito na Síria.
O grupo de inspetores chegou no domingo, dia 18, a Damasco para avaliar três suspeitas do uso do armamento na periferia de Damasco e na Província de Aleppo. A visita foi autorizada pelo regime sírio após quatro meses de negociações.
Em meio à discussão sobre o suposto ataque, forças de Bashar al-Assad fizeram bombardeios ao leste da capital, área onde teria ocorrido o bombardeio químico, assim como na região de fronteira com o Líbano, onde alguns morteiros caíram em cidades libanesas.


Síria: bombardeios químicos ainda são intensos, dizem ativistas

Do Terra – 22/08/2013

Ativistas políticos na Síria disseram nesta quinta-feira que o bombardeio, com uso de armas químicas, nos arredores de Damasco, capital do país, permanece intenso. Segundo eles, cerca de 1.300 pessoas foram mortas nos últimos dois dias em decorrência do uso dessas armas pelo governo do presidente Bashar Al Assad, que nega as acusações. O governo brasileiro recomenda cautela e a investigação por peritos internacionais.
A Comissão Geral da Revolução Síria, organização não governamental, destacou que os bombardeios atingiram Muadamiya e Guta, na periferia de Damasco. Também foi atingido o bairro de Al Qabun. Os comités de coordenação local, que apoiam a oposição, informaram que houve bombardeios com artilharia pesada em outras áreas, como Jan Sheij e Daraya.
A organização Exército Livre Sírio (ELS), que também apoia a oposição, domina áreas próximas a Damasco. O governo sírio lançou ontem (21) uma operação sobre bairros dos arredores da capital, controlados pela oposição, e desmentiu que tenha utilizado armas químicas, conforme denunciado.
A Coligação Nacional Síria, que atua em favor da oposição, denunciou que pelo menos 1.300 pessoas morreram ontem. Atualmente, na Síria, há uma missão de peritos das Nações Unidas destinada a investigar três casos de ataques químicos.
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) se reuniu ontem à noite, mas não conseguiu chegar a acordo para pedir formalmente uma investigação sobre o ataque químico denunciado nessa quarta-feira pela oposição síria.
Desde o início dos confrontos na Síria, em março de 2011, morreram mais de 100 mil pessoas e aproximadamente 7 milhões de sírios precisam de ajuda humanitária de emergência, de acordo com balanço da ONU. Os confrontos foram deflagrados pela disputa política entre a oposição e o presidente Bashar Al Assad, que é pressionado a deixar o poder, mas resiste.

*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa

Veja algumas fotos (Atenção - as imagens são fortes):
 Rebeldes sírios enterram vítimas do suposto ataque com armas químicas contra os oposicionistas na periferia de Damasco


 Homens esperam por atendimento após o suposto ataque químico das forças de segurança da Síria na cidade de Douma, na periferia de Damasco; a fotografia é do escrtitório de comunicação de Douma


 Corpos são enfileirados no subúrbio de Damasco


Nesta imagem da Shaam News Network, órgão de comunicação da oposição síria, uma pessoa não identificada mostra os olhos de uma criança morta após o suposto ataque químico de tropas leais ao Exército sírio em um necrotério improvisado na periferia de Damasco; a fotografia, de baixa qualidade, mostra o que seria a pupila dilatada da vítima

Um milhão de crianças sírias estão refugiadas por causa do conflito, informam Agências da ONU

Da ONU Brasil – 23/08/2013

Um milhão de crianças sírias já foram registradas como refugiadas, forçadas a deixar seu país por causa do conflito iniciado em março de 2011, informou as Nações Unidas na sexta-feira, dia 23.
“O que está em jogo é a sobrevivência de uma geração de inocentes”, disse o chefe da Agência da ONU para Refugiados, António Guterres. “A juventude síria está perdendo sua casa, os membros de sua família e seu futuro. Mesmo que cruzem a fronteira e encontrem segurança em outro país, estes jovens estão traumatizados, deprimidos e precisando de esperança.”
As crianças são mais da metade dos refugiados do conflito sírio, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). As últimas estatísticas mostram que cerca de 740 mil crianças refugiadas sírias têm menos de 11 anos de idade. Muitas estão no Líbano, Jordânia, Turquia, Iraque e Egito. Mais e mais sírios têm agora buscado os países do Norte da África e a Europa.
“Um milhão não é apenas mais um número”, afirmou o diretor executivo do UNICEF, Anthony Lake. “Significa que crianças foram realmente tiradas de casa, talvez até mesmo tiradas de sua família, encarando situações de horror que mal podemos imaginar.”
“Todos nós devemos dividir esta vergonha”, afirmou Lake, “porque enquanto trabalhamos para aliviar o sofrimento das pessoas afetadas pela crise, a comunidade global falhou na sua responsabilidade com essas crianças. Devemos parar e nos perguntar como, em plena consciência, continuaremos falhando em proteger as crianças Sírias.”
De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), cerca de 7 mil crianças já foram mortas desde o início do conflito sírio. O ACNUR e o UNICEF estimam que mais de 2 milhões de crianças estejam deslocadas internamente na Síria.
A violência física, medo, estresse e o trauma vivido por tantas crianças são apenas uma parte da crise humanitária. As duas Agências destacam ainda que as crianças refugiadas estão sujeitas às ameaças do trabalho infantil, casamento precoce e o potencial risco de exploração sexual e tráfico. Mais de 3,5 mil crianças na Jordânia, Líbano e Iraque deixaram a Síria desacompanhadas ou separadas de seus familiares.
A maior operação humanitária da história já vista pelo ACNUR e UNICEF têm mobilizado apoio às milhões de famílias e crianças afetadas pela crise.
Por exemplo, mais de 1,3 milhão de crianças em campos de refugiados e comunidades de acolhida foram vacinadas contra sarampo este ano com o apoio do UNICEF e seus parceiros. Quase 167 mil crianças refugiadas estão recebendo assistência psicológica e mais de 118 mil continuam seus estudos tanto em escolas formais quanto montadas especificamente para atendê-las.
O ACNUR registrou como refugiadas 1 milhão de crianças sírias, que receberam documentos de identificação. A Agência também ajuda a providenciar certidões de nascimento para os bebês nascidos no refúgio, prevenindo que se tornem apátridas. O ACNUR assegura ainda que toda família refugiada e seus filhos vivam em abrigos seguros.
Ainda há muito a ser feito. O Plano Regional de Resposta para a Síria recebeu apenas 38% dos 3 bilhões de dólares necessários para atender as necessidades mais urgentes dos refugiados até dezembro deste ano.
São necessários mais de 5 bilhões de dólares para lidar com a crise Síria, as necessidades mais urgentes são educação, atendimentos de saúde e outros serviços específicos tanto para crianças refugiadas quanto para crianças em comunidades de acolhida. Outros recursos são necessários para desenvolver uma forte rede de identificação das crianças sírias em risco, além de providenciar apoio a elas e às comunidades de acolhida.
É preciso intensificar os esforços para se chegar a uma solução política para a Síria, as partes em conflito devem parar de atingir os civis e cessar o recrutamento de crianças. Crianças e suas famílias devem ter acesso às fronteiras para sair do país em segurança e as fronteiras devem permanecer abertas.
O ACNUR e UNICEF declararam ainda que os países que não cumprirem com estas obrigações previstas na legislação humanitária internacional devem ser responsabilizados.


Oposição diz que ataque com armas químicas matou mil na Síria; confira o vídeo

Da BBC Brasil – 21/08/2013

Um ataque com armas químicas na quarta-feira, dia 21 de agosto, matou centenas de pessoas, próximo à Damasco, a capital da Síria, segundo ativistas de oposição sírios.
A principal aliança de oposição na Síria afirma que mais de mil pessoas foram mortas. Os dados não puderam ser confirmados de forma independente.
Eles dizem que foguetes com componentes tóxicos foram lançados contra o subúrbio de Ghouta, em um ataque de forças do governo contra rebeldes. Eles afirmam ainda que há mortos também nas regiões de Irbin, Duma e Muadhamiya.
A agência estatal Sana e o exército sírio negam a informação.
Caso confirmado, o número de mortos é muito superior a outros supostos ataques do tipo.
O diretor de uma comissão de inspeções de armas químicas da ONU que está na Síria, Ake Sellstrom, disse que viu vídeos dos supostos ataques.
"Parece-me que é algo que precisamos investigar", disse ele à agência sueca de notícias TT.
Essa decisão, no entanto, precisaria ser tomada pelo secretário-geral da ONU a pedido de algum país.
Pressão
Os Estados Unidos, o Reino Unido e a França convocaram a realização de uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU, em Nova York, para discutir o suposto ataque.
O presidente francês, François Hollande, e o ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, William Hague, pediram que os inspetores da ONU que estão na Síria tenham acesso à área onde teriam sido usadar armas químicas.
A Liga Árabe também pediu que os inspetores tenham acesso à região.
Imagens colocadas no YouTube mostram muitas pessoas sendo atendidas em hospitais e lugares improvisados, mas a autenticidade dos vídeos não pôde ser confirmada.
Mas um médico ouvido pela BBC que diz estar tratando os feridos confirmou que os sintomas dos pacientes – especialmente crianças – são consistentes com o uso de armas químicas: falta de ar, excesso de salivação e visão borrada.
“Há alguns tipos de sintomas que indicam que trata-se de fósforo, uma arma química. Pode também ser sarin, muito provavelmente”, disse o médico, Ghazwan Bwidany.
“Nós não temos a capacidade de tratar todas essas pessoas”, explicou. “Nós os estamos colocando em mesquitas, em escolas. Nós estamos com falta de suprimentos médicos, especialmente atropina, que é um antídoto para armas químicas.”
Em julho de 2012, o governo sírio deu indícios de que possui um estoque de armas químicas, que incluiria gás mostarda e sarin. O governo de Damasco disse que as armas nunca seriam usadas dentro do país.

Exército sírio
O Exército sírio classificou as acusações de uso de armas químicas como graves, mas também destacou o direito dos militares de lutarem contra o que classificam como terrorismo na Síria.
A instituição acusou a oposição do governo de fabricar a acusação para desviar a atenção das derrotas que as forças rebeldes sofreram recentemente.
A agência Sana diz que as alegações são “sem fundamento” e “uma tentativa de desviar a comissão de investigação de armas químicas da ONU de seus deveres”.
Os inspetores da ONU estão na Síria desde domingo. Eles foram investigar três outros lugares onde supostos ataques químicos foram perpetrados em março. Em um deles, na cidade de Khan al-Assal, 26 pessoas teriam morrido.
O editor da BBC para o Oriente Médio, Jeremy Bowen, disse que muitos se questionam por que o governo da Síria atacaria com armas químicas os rebeldes em um momento em que inspetores da ONU estão no país.
Mas Bowen diz que as imagens que estão saindo da Síria nesta quarta-feira são tão chocantes que dificilmente poderiam ser fabricadas.
O ex-comandante de um órgão de armas químicas e biológicas do Exército britânico, Hamish de Bretton-Gordon, também disse que é muito difícil fabricar imagens como as que estão sendo divulgadas agora.
Ele disse que os inspetores sírios possuem equipamentos suficientes para identificar que tipo de armamento teria sido usado no suposto ataque.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Mensagem interceptada do líder da Al Qaeda provocou alerta americano

Da Folha – 05/08/2013

Mensagens eletrônicas interceptadas nas quais o líder da Al Qaeda, Ayman al-Zawahri, repassava ao chefe da rede terrorista no Iêmen a ordem de levar a cabo ataques terroristas foi o que levou o governo dos EUA a fechar representações diplomáticas no Oriente Médio e na África.
A informação é do jornal "The New York Times", que disse ter mantido em sigilo a identidade dos interlocutores da Al Qaeda desde sábado a pedido de um alto integrante da cúpula de inteligência do governo Barack Obama. Como jornais do grupo americano McClatchy publicaram o dado, o veto foi abolido.
Ayman al-Zawahri é considerado o substituto de Osama bin Laden, morto em 2011. Na mensagem interceptada, ele conversava com Nasser al-Wuhayshi, que comanda da Al Qaeda no Iêmen, considerado o mais sangrento braço operativo da rede.


De acordo com o "New York Times", o rastreamento de mensagem tão inusual entre dois cabeças do grupo terrorista levou Washington a imediatamente a compartilhar a informação com integrantes do Congresso.
As mensagens monitoradas falavam que ataques deveriam ocorrer a partir de ontem, mas não davam pistas sobre locais, daí a decisão do governo Obama e de outros aliados ocidentais de fechar representações diplomáticas em várias regiões.
Na segunda-feira, dia 5, o Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido informou que a embaixada britânica no Iêmen permanecerá fechada nesta semana, por razões de segurança, até o final da festa de Eid ul-Fitr, que na quinta-feira marca o fim do mês sagrado do Ramadã.
Mais cedo, os EUA já haviam prologando até sábado, dia 10 de agosto, o fechamento de 19 embaixadas e consulados no Oriente Médio e na África. Alemanha e França também fecharam suas representações diplomáticas em Sanaa, a capital do Iêmen.
O Departamento de Estado negou que o fechamento das embaixadas esteja vinculada a "uma nova ameaça".
Não há informação da origem da interceptação, que ocorre num momento em que os programas de espionagem global dos EUA, com amplo acesso a mensagens via internet, estão sendo criticados até por países aliados.

Vigilância
"A ameaça é real e temos de estar vigilantes", repetiu ontem Jay Carney, porta-voz do presidente Barack Obama.
Segundo o jornal americano, agentes de inteligência acreditam que as bombas que seriam usadas em ataques estão sendo feitas por Ibrahim al-Asiri, um dos líderes do grupo no Iêmen e alvo dos ataques americanos usando aviões não tripulados, os chamados drones.


quarta-feira, 6 de março de 2013

Mais de 4 milhões precisam de ajuda na Síria


Da Carta Capital – 19/02/2013

Mais de 4 milhões de pessoas necessitam de ajuda na Síria, segundo cifras divulgadas no dia 19 de fevereiro pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) em Genebra, um valor quatro vezes maior do que há um ano, em março de 2012. Estes quatro milhões representam quase um em cada cinco sírios, acrescenta a OCHA, que coordena a ajuda humanitária no país, devastado pela guerra civil que já deixou 70.000 vítimas.

A Síria contava com 20,8 milhões de habitantes em março de 2011, data do início da revolta popular contra o regime do presidente sírio Bashar al Assad. Desde então, mais de 850.000 pessoas fugiram do país para se refugiar no exterior. O OCHA pediu 519 milhões de dólares para ajudar a população síria necessitada, mas, no momento, só arrecadou 20,5%.